Agência EFE
MOSCOU - A Rússia negou nesta terça-feira ter ameaçado interromper o fornecimento de combustível nuclear para a usina iraniana de Bushehr, caso Teerã não cumpra as exigências da ONU de suspender o enriquecimento de urânio. Em comunicado divulgado por agências locais, o Conselho de Segurança da Rússia assegurou que as informações, publicadas na edição de hoje do jornal 'The New York Times', "não correspondem com a realidade".
A nota cita a declaração feita esta semana pelo secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Igor Ivanov, que pediu para que a crise provocada pelas ambições nucleares iranianas não seja misturada com a construção da usina iraniana de Bushehr, realizada por engenheiros russos.
Segundo os funcionários americanos, europeus e iranianos citados pelo 'The New York Times', o próprio Ivanov apresentou o ultimato a Ali Hosseini Tash, o 'número dois' na lista de negociadores nucleares iranianos.
Por conta da festividade iraniana do 'Noruz', foram adiadas as negociações para solucionar o problema da falta de pagamentos iranianos relativos à construção da usina nuclear de Bushehr, de mil megawatts de potência, que está sendo realizada por engenheiros russos. A delegação russa, integrada por especialistas e integrantes da empresa AtomStroyExport, encarregada da construção de Bushehr, no sul do Golfo Pérsico, "concluiu sua visita a Teerã e voltou para Moscou".
A agência de notícias 'Irna', que cita como fonte uma porta-voz da AtomStroyExport, informou que as negociações serão reatadas após o 'Noruz', que começa amanhã, quarta-feira, e marca o início do novo ano persa de 1386. A porta-voz da companhia russa disse ter esperanças de que o Irã cumpra suas obrigações conforme os acordos assinados entre os dois países, e retome os pagamentos relativos à construção da usina nuclear.
Também negou que a companhia AtomStroyExport tenha recebido US$ 18,2 milhões do Governo iraniano desde o início de março, como havia sido afirmado pelo assessor do diretor da Agência de Energia Atômica Iraniana, Mohamad Sayedi.
Na semana passada, a Agência Atômica Russa (Rosatom) anunciou que adiará, por pelo menos dois meses, a implementação da central, prevista para setembro, devido ao fato de o Irã não ter realizado nenhum pagamento desde 17 de janeiro (US$ 5,1 milhões). As autoridades iranianas garantem que transferiram, em 1º de março, US$ 12,7 milhões para os russos, totalizando pagamentos no valor de US$ 75 milhões desde outubro. A Agência de Energia Atômica Iraniana assegurou que espera que a Rússia cumpra seu compromisso, e forneça o combustível nuclear antes do dia 31 de março. Segundo fontes russas, o atraso nos pagamentos foi causado, aparentemente, pela repentina decisão das autoridades iranianas de pagar em euro, e não em dólares, como vinha sendo feito até agora.