Agência EFE
WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu neste sábado que o Congresso aprove recursos adicionais para as guerras no Iraque e no Afeganistão, e ameaçou vetar o projeto caso sejam impostas condições, como um calendário para a retirada de tropas.
- O Congresso precisava aprovar os fundos de emergência para nossas tropas sem condições e demora. Se me enviarem um projeto de lei que faça o contrário, vetarei - disse Bush em seu tradicional discurso por rádio dos sábados.
As palavras do presidente dos Estados Unidos coincidem com manifestações hoje em diferentes pontos do país, em sinal de protesto contra a guerra no Iraque, às vésperas do quarto aniversário do início do conflito, na próxima terça-feira.
Além das manifestações, há a crescente pressão do Congresso - sob domínio dos democratas desde janeiro - e da opinião pública, para forçar a retirada das tropas do Iraque.
Uma pesquisa publicada nesta semana pela rede de televisão 'CNN' mostra que 58% dos cidadãos estão a favor do retorno dos soldados que estão no Iraque.
O projeto de lei sobre a aprovação de mais US$ 124 bilhões para despesas militares, dos quais US$ 95,5 bilhões iriam para o Iraque e o Afeganistão, contém uma cláusula que exige a retirada das tropas até o final de 2008.
Bush criticou a condição vinculativa do projeto, que deve ser discutido no plenário da Câmara de Representantes na próxima semana.
- O projeto de lei imporia condições arbitrárias e restritivas - disse hoje o presidente dos Estados Unidos.
Acrescentou que, 'inclusive se forem cumpridas todas as condições (...), todas as tropas americanas, exceto (um contingente) para tarefas muito limitadas, teriam que sair no próximo ano, independente da situação no Iraque'.
Segundo Bush, 'as conseqüências de impor esse calendário artificial seriam desastrosas'.
Em declarações recentes, o secretário da Defesa americano, Robert Gates, disse diante do Congresso que, se as tropas saírem antes de reduzir os conflitos sectários em Bagdá, a violência poderia estender-se a todo o país e ao resto da região.
Bush também acusou os democratas de impulsionar a legislação contra a guerra no Iraque para ganhar 'suas próprias batalhas'.
- Infelizmente, alguns no Congresso estão usando este projeto de lei como uma oportunidade para tramitar nossos comandantes, forçar uma retirada precipitada do Iraque e gastar bilhões em projetos internos que não têm nada a ver com a guerra contra o terrorismo - disse.
Os democratas não deram ouvidos às críticas de Bush e voltaram a insistir hoje na necessidade de colocar fim ao conflito.
Na resposta democrata ao discurso de Bush, a senadora Patty Murray disse que, apesar de 3.200 soldados americanos terem morrido, quase 30.000 tenham ficado feridos e dos gastos de mais de US$ 400 bilhões, 'ainda não se vislumbra o final' do conflito.
- Meus colegas democratas e eu achamos que é momento de acabar com essa guerra - disse Murray, acrescentando que os iraquianos devem assumir o controle de seu país.
A senadora descreveu os enfrentamentos em Bagdá e em outras partes do Iraque como uma 'guerra civil' que não se pode ser vencida só com a força militar.
- Só é possível resolver (o conflito) com os iraquianos dialogando com os iraquianos e alcançando os acordos políticos que colocarão fim à violência - disse a congressista, insistindo em que seu partido 'continuará lutando para que as tropas voltem para casa'.
A proposta de definir uma data para a retirada dos soldados americanos que estão no Iraque obteve na semana passada sinal verde de um comitê da Câmara de Representantes, mas fracassou no Senado, onde a maioria democrata é muito estreita.