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Benefício a preso do ETA independe de esforço de paz, diz premiê

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REUTERS

MADRI - O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou na quinta-feira que não há relação entre a pena de prisão mais branda conferida a José Ignacio de Juana Chaos, um membro do ETA, e o processo de paz para colocar fim a décadas de conflito com o grupo separatista basco.

Em uma entrevista concedida a uma rádio, o premiê disse que não espera ver nenhum gesto, comunicado ou mudança de atitude da parte do ETA depois da decisão de conceder benefícios para De Juana Chaos, que realizou uma prolongada greve de fome.

'A situação de De Juana Chaos é totalmente excepcional e não tem relação com o processo de paz', afirmou Zapatero em uma entrevista concedida à rádio Onda Cero.

O governo espanhol considera encerrado o processo de diálogo com o ETA depois de um atentado realizado pelo grupo e que deixou dois mortos, no final de 2006, no aeroporto de Barajas, em Madri.

O grupo, que luta pela independência do País Basco, havia declarado um cessa-fogo em março do ano passado, uma manobra que serviu de passo inicial para os esforços de paz.

'Neste momento, não há nenhum contato com os que representam a organização terrorista ETA', afirmou Zapatero.

'Como é evidente e aconselhável, o governo sempre tem de saber o que está acontecendo. Mas não há nenhum contato para o diálogo', acrescentou.

O premiê assegurou ainda que não espera 'absolutamente nada' do ETA depois da concessão do benefício prisional para De Juana Chaos, um conhecido membro do ETA que está hospitalizado em San Sebastián recuperando-se das sequelas deixadas pela greve de fome de quatro meses.

'O governo não possui nenhum elemento que nos permita prever o aparecimento de um comunicado', disse Zapatero.

A decisão do Poder Executivo de conceder o benefício ao membro do ETA provocou um acirrado debate com o Partido Popular (oposição), que acusa o governo de ter cedido diante de uma chantagem e que organizou, no sábado passado, um protesto em Madri do qual participaram centenas de milhares de pessoas.