Agência EFE
BUENOS AIRES - O governador da província argentina de La Rioja, Ángel Maza, se negou a abandonar a sede do Executivo depois que a Legislatura local o suspendeu para submetê-lo a um julgamento político.
Maza, aliado do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, permanece no edifício, apesar de a Polícia ter entregado nesta terça-feira à noite e nas primeiras horas de hoje duas notificações de despejo.
Enquanto Maza assinava um decreto que rejeitava a suspensão por 30 dias, imposta pela Legislatura para submetê-lo a um julgamento com fins de cassação, seus seguidores protagonizaram, ontem à noite, violentos confrontos contra a Polícia, que incluíram disparos de balas de borracha, queima de pneus e de um automóvel.
Durante os incidentes, o irmão do governador, Jorge Maza, disse que a mulher do líder suspenso foi ferida por uma bala de borracha disparada pela Polícia.
O principal impulsor da medida adotada pela Legislatura é o até agora vice-governador, Luis Beder Herrera, inimigo de Maza, que nesta terça-feira se proclamou responsável pelo Executivo provincial, convocou eleições daqui a 120 dias e, entre outras medidas, ordenou a substituição do chefe da Polícia.
Enquanto isso, os sindicatos que reúnem os trabalhadores públicos e os docentes declararam greve por tempo indeterminado.
A Assembléia Legislativa de La Rioja entendeu que há elementos suficientes para julgar Maza por supostos atos de corrupção.
A crise na província explodiu no mês passado, quando o Legislativo aprovou uma emenda que eliminou a possibilidade de reeleição indefinida do governador, o que bloqueou as aspirações de Maza para um quarto mandato.
O conflito se aprofundou nos últimos dias com supostas denúncias de corrupção do governador, entre elas, uma relacionada com a ocultação de um acordo que concede benefícios à mineradora canadense Barrick Gold na exploração de uma jazida em La Rioja, 1.150 km ao noroeste de Buenos Aires.
O governador suspenso também enfrenta denúncias por suposta venda irregular de terras.
A figura política de Maza cresceu na década passada, quando era funcionário e aliado político do então presidente da Argentina Carlos Menem (1989-1999), também oriundo de La Rioja.
Quando Kirchner assumiu a Presidência, em maio de 2003, Maza se aliou ao chefe do Estado.
O Governo central insistiu, nos últimos dias, que espera que a crise institucional em La Rioja se resolva dentro do âmbito da província e assegurou que não considera a possibilidade de intervenção no distrito.