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LONDRES - Parlamentares britânicos votaram na quarta-feira um histórico projeto de reforma da tradicionalíssima Câmara dos Lordes (espécie de Senado), para que todos ou a maioria de seus membros sejam eleitos, em vez de nomeados, como em geral acontece atualmente.
Se entrar em vigor, a medida deve transformar a influência e a imagem da Câmara dos Lordes, atualmente centro de um escândalo por causa da suposta troca de títulos nobiliárquicos por doações eleitorais.
De forma surpreendente, a Câmara dos Comuns (deputados) rompeu anos de impasse sobre o tema ao dar forte apoio à proposta de que todos os lordes passem a ser eleitos. Uma proposta para que 80 por cento deles sejam eleitos também foi aprovada, enquanto outros projetos, com números menores, foram derrotados.
Além disso, os deputados aprovaram o fim da hereditariedade -- lordes que obtêm acesso na câmara alta do Parlamento por terem nascido na aristocracia.
O resultado da votação não é de cumprimento obrigatório, e caberá ao governo de Tony Blair decidir o que fazer.
A própria Câmara dos Lordes, fundada há 500 anos, vai discutir seu futuro na semana que vem, quando deve se opor a uma reforma abrangente demais.
O ministro Jack Straw, um dos principais defensores da reforma, disse que a votação foi 'muito positiva para uma mudança fundamental'.
Menzies Campbell, líder do partido oposicionista Liberal Democratas, afirmou se tratar de 'uma ocasião realmente histórica'.
'Após quase cem anos, a Câmara dos Comuns finalmente deu o importante passo de reformar a câmara alta e torná-la adequada a uma democracia moderna', afirmou o político em nota.
Atualmente, alguns lordes são nomeados pelos partidos políticos e outros são recomendados por uma comissão.