Agência EFE
LONDRES - Um muçulmano britânico foi considerado hoje culpado de incitar ao assassinato durante uma manifestação em Londres contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé em vários países europeus. Abdul Muhid, de 24 anos, foi considerado um dos organizadores do protesto, realizado em 3 de fevereiro passado, em um julgamento com júri realizado no tribunal londrino de Old Bailey.
O jovem, que tem dois filhos, liderou uma multidão que gritava "bombardeiem, bombardeiem o Reino Unido' e fabricou cartazes com frases como 'Aniquilem aqueles que insultam o Islã', segundo a acusação. Durante o julgamento, Muhid disse ao júri que sua intenção tinha sido mostrar 'a dor e a angústia' sentida pelos muçulmanos quando um jornal dinamarquês publicou as caricaturas.
No entanto, a acusação considerou que o verdadeiro motivo do protesto, que aconteceu da mesquita de Regent's Park até a embaixada dinamarquesa na capital britânica, foi incitar ao terrorismo. Muhid vestia uma jaqueta com a inscrição 'Soldado de Alá' na manifestação, durante a qual a Polícia não praticou nenhuma detenção, mas gravou em vídeo alguns participantes cujas condutas podiam constituir crime.
A publicação de caricaturas do profeta Maomé, primeiro no jornal dinamarquês 'Jyllands-Posten' e depois em outros diários europeus, gerou vários protestos de muçulmanos no mundo todo. Em uma das caricaturas, o profeta aparecia com um turbante em forma de bomba e, em outra imagem, Maomé dizia que o paraíso estava ficando sem virgens.