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Crise nuclear com Irã é caso à parte, diz chefe da AIEA

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REUTERS

VIENA - O fato de o Irã não ter ainda conseguido afastar as suspeitas sobre suas atividades nucleares, após tê-las conduzido em segredo durante quase 20 anos, coloca o país em uma situação diferente de outras nações, afirmou nesta segunda-feira o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Seis potências mundiais negociam neste momento uma ampliação das sanções impostas ao país islâmico porque ele continua com seu programa de enriquecimento de urânio, ignorando o prazo fixado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e concluído no dia 21 de fevereiro.

O urânio enriquecido pode ser usado na fabricação de armas nucleares.

- O caso de verificação do Irã é sui generis - afirmou Mohamed ElBaradei, chefe da AIEA, nas declarações que abriram um encontro entre os 35 países do quadro de diretores da entidade, que é ligada à ONU.

- Ao contrário de outros casos de verificação, a confiança da AIEA a respeito da natureza do programa do Irã viu-se abalada devido às duas décadas de atividades não-declaradas (até 2003) - disse.

Essa confiança só será restabelecida quando o Irã adotar a decisão há muito tempo adiada de responder, de forma transparente e aberta, todas as perguntas e preocupações sobre suas atividades anteriores no setor nuclear.

O governo iraniano rejeita a acusação de que tente desenvolver bombas atômicas sob o disfarce de um programa civil de energia nuclear, alegando que deseja apenas dominar essa tecnologia para produzir eletricidade.