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ISLAMABAD - Um dos três principais líderes do Taliban foi preso nesta semana no Paquistão, horas depois do frustrado atentado contra o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, que estava em visita ao país, segundo fontes do governo paquistanês e do Taliban.
O mulá Obaidullah Akund é o primeiro dirigente do Taliban a ser preso no Paquistão desde que o grupo islâmico perdeu o poder no vizinho Afeganistão, no final de 2001, levando milhares de militantes a cruzarem a fronteira.
As fontes disseram à Reuters que Akhund, terceiro homem na hierarquia do Taliban, foi preso na noite de segunda-feira em Quetta, no sudoeste paquistanês.
Questionadas pela Reuters, autoridades civis e militares paquistanesas disseram desconhecer a prisão, embora a versão eletrônica do jornal The New York Times diga que o fato foi confirmado por funcionários norte-americanos em Washington. A suposta prisão foi manchete também do importante jornal paquistanês Dawn, citando novamente fontes não-identificadas.
Qari Mohammad Yousaf, porta-voz do Taliban, disse à agência de notícias Afghan Islamic Press que se trata de um boato. Mas, no final de 2006, o grupo passou mais de uma semana negando que um bombardeio norte-americano tivesse matado seu dirigente mulá Akhtar Mohammad Osmani, para depois admitir o fato.
Uma fonte paquistanesa de segurança disse, sob anonimato, que a prisão de Akhund coincidiu com a visita de Cheney, mas não teve relação com ela.
Falando por telefone em locais não revelados, fontes do Taliban disseram que Akhund foi capturado na casa de um parente na capital da província do Baluchistão. Essas fontes acrescentaram que dois outros líderes foram detidos nesta semana em Quetta, mas o funcionário paquistanês que falou à Reuters não confirmou isso.
Akhund participava do conselho supremo do Taliban, chefiado pelo mulá Mohammad Omar, e havia sido ministro da Defesa no regime Taliban, quando teria estabelecido forte cooperação com os serviços paquistaneses de inteligência -- antes de Islamabad se converter em aliado de Washington na "guerra ao terrorismo", posteriormente aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.
- Ele não era um comandante, mas ele e o mulá Beradar eram ligações-chave com os comandantes no campo, disse o respeitado jornalista paquistanês Ahmed Rashid, autor de um vasto estudo sobre o Taliban.
- Ele era da shura (conselho), e muito importante.
Embora a prisão de Akhund seja um golpe para o Taliban, ela contradiz as frequentes negativas paquistanesas de que dirigentes do grupo estariam comandando a insurgência no Afeganistão a partir de Quetta.
Musharraf disse em fevereiro ter "500 por cento" de certeza de que o mulá Omar está no Afeganistão, embora tenha admitido a presença de outros militantes do Taliban em seu país.
A falta de prisões no passado alimentou especulações de que os serviços paquistaneses de inteligência ou agentes com iniciativa própria estariam permitindo que líderes do Taliban agissem livremente.
Generais norte-americanos dizem que há centros de "comando e controle" do Taliban no território paquistanês. A Otan, por outro lado, agradeceu o Paquistão pela ajuda em várias operações recentes de contra-insurgência, inclusive o bombardeio que matou Osmani.