Agência EFE
SYDNEY - O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, expressou nesta sexta-feira sua preocupação pelo crescente poderio militar da China e agradeceu o apoio da Austrália na Guerra do Iraque, no primeiro dia de sua visita ao país oceânico, um de seus principais aliados na política externa. Cheney afirmou que o rápido aumento do poder militar da China e o lançamento de seu primeiro míssil anti-satélite não correspondem à vontade expressada por Pequim de "crescer pacificamente como uma potência global".
No entanto, o vice-presidente ressaltou o papel destacado da China no diálogo de seis lados que levou ao acordo para que a Coréia do Norte renuncie ao seu potencial nuclear e do qual também participaram Coréia do Sul, EUA, Japão e Rússia.
- Esperamos que a China se una a nós nas tentativas de evitar o desenvolvimento e a proliferação de tecnologias mortais, seja na Ásia ou no Oriente Médio - afirmou o vice-presidente, em discurso oferecido esta manhã aos membros da organização 'Diálogo de Liderança Executiva Austrália-América'.
Sobre a situação no Iraque, Cheney ressaltou a importância do apoio australiano - que manteve tropas no país árabe desde o começo da invasão - para os Estados Unidos. O vice-presidente americano, que chegou na noite de quinta-feira à Austrália e se reunirá amanhã com o primeiro-ministro do país, John Howard, elogiou o líder australiano por seu compromisso com "a guerra contra o terror". Cheney lembrou que em sua visita aos EUA em 2001, na véspera dos ataques do 11 de setembro, Howard disse que 'as nações devem defender seus valores daqueles que tentam derrubá-los'.
Acrescentou que o objetivo dos terroristas é conseguir o controle do Oriente Médio para estabelecer uma base territorial que incluiria a Espanha, e, a partir dela, lançar ataques contra os Governos que se negarem a cumprir suas exigências.
- O objetivo final, que é declarado abertamente pelos terroristas, é estabelecer um califado que cubra uma região desde a Espanha, passando pelo norte da África até o Oriente Médio e o Sul da Ásia, ao redor da Indonésia - afirmou no discurso, divulgado pela agência australiana 'AAP'.
Enquanto Cheney, que trouxe seus próprios guarda-costas armados, discursava no interior do hotel, do lado de fora centenas de pessoas entravam em confronto com a Polícia em um protesto que pedia a libertação de David Hicks, o australiano detido na base americana de Guantánamo, em Cuba, há mais de cinco anos, sem que tenham sido apresentadas acusações formais contra ele. Quatro manifestantes foram detidos no começo da manhã, durante um choque com as forças policiais perto dos pontos de segurança defendidos pela Polícia montada. Mais tarde, quando a manifestação começou a se deslocar pelas ruas do centro da cidade, o protesto convocado pela coalizão 'Stop the War' se acalmou.
Cheney reiterou o agradecimento à Austrália quando visitou mais tarde a base naval de Sydney, acompanhado pelo ministro da Defesa do país, Brendan Nelson, e pelo chefe das Forças Armadas, Angus Houston, e cumprimentou os veteranos australianos das guerras do Iraque e do Afeganistão.
- Aprendemos que os atentados terroristas - sejam eles em Nova York, Londres, Madri, Casablanca, Jacarta ou Bali - não são simplesmente atos criminosos de pequenos grupos de homens, mas representam um movimento global que se formou durante décadas e que está decidido a semear o caos e a destruição nos países civilizados - afirmou.
Cheney se reuniu depois com o líder da oposição, o trabalhista Kevin Rudd, que supostamente o comunicaria da intenção de retirar as tropas australianas do Iraque, caso seu partido vença as eleições gerais, previstas para entre outubro e novembro, mas o escritório de Rudd não revelou o conteúdo da conversa. O líder americano encerrará sua visita oficial à Austrália neste sábado.