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EUA garantem que Rússia sabe não ser o alvo de seu escudo antimísseis

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Agência EFE

WASHINGTON - O Estados Unidos garantiram nesta quinta-feira que o sistema de defesa antimísseis que planejam instalar na Europa Central não é dirigido contra a Rússia, e afirmaram que as autoridades de Moscou têm plena consciência disso.

"A Rússia não é o alvo visado e os russos sabem disso' porque Washington já o explicou, afirmou o secretário de Estado adjunto para a Europa, Dan Fried.

Fried e o diretor da Agência de Defesa contra Mísseis do Pentágono, o general Trey Obering, apresentaram em entrevista coletiva em Washington os planos americanos de instalar um radar na República Tcheca e uma base de mísseis interceptores na Polônia para enfrentar possíveis ameaças procedentes do Oriente Médio.

É um projeto que os Estados Unidos querem implementar para se proteger e para proteger seus aliados, disseram. 'Não temos defesas na Europa contra mísseis de longo alcance' procedentes de países como o Irã, afirmou o general Obering.

Tanto o general como o representante do Departamento de Estado destacaram que esse é o único objetivo da iniciativa, e asseguraram que isso foi comunicado tanto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como às próprias autoridades russas, com as quais houve "discussões detalhadas' em alto nível.

- Não estamos desenvolvendo este sistema às escondidas nem sem intensas consultas com os russos e com os aliados (membros da Otan) - afirmou Fried, que se disse surpreso com as reações provenientes de Moscou nos últimos dias.

O secretário adjunto referia-se a reações como a do chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Rússia, Yuri Baluyevsky, que alertou que Moscou poderia se retirar unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance (INF, sigla em inglês), assinado em 1987 pelos Estados Unidos e pela antiga União Soviética.

Não menos chamativa foi a resposta do comandante das Forças Estratégicas de Mísseis da Rússia, general Nikolai Solovtsov, que chegou a dizer que os foguetes balísticos russos poderão ser postos na direção da República Tcheca e da Polônia caso partes do escudo antimísseis americano sejam colocadas nesses países.

Fried classificou as declarações do militar russo como "incompreensíveis e negativas', e afirmou que uma ameaça contra esses dois países 'não faz sentido'.

Ressaltou ainda que a posição do militar não representa a do Governo de Moscou nem significa que EUA e Rússia estejam vivendo um novo período de tensão em sua relação bilateral.

Essa hipótese começou ser ventilada devido não apenas à questão dos mísseis, mas também a recentes declarações do presidente russo, Vladimir Putin, que acusou os EUA de quererem impor sua vontade no mundo todo.

Washington insiste em que não há nenhuma crise. Reconhece, porém, que a relação com Moscou é 'complicada', com muitas áreas de cooperação, mas também algumas divergências.

Essa leitura, já exposta pelo presidente americano, George W. Bush, foi repetida hoje pelo representante do Departamento de Estado.

Dan Fried afirmou que a Administração americana quer ter a Rússia como parceira forte, com um papel construtivo, e sem utilizar seu potencial para pressionar seus vizinhos ou ameaçar a Polônia e a República Tcheca.

Esses dois países estão avaliando o projeto americano. - Estamos em discussões preliminares - afirmou Fried.

Ainda não começaram as negociações formais para a colocação de elementos do sistema de Defesa Nacional contra Mísseis (NMD, em inglês), um programa do Pentágono para destruir mísseis balísticos já lançados.

O Pentágono pretende construir na Polônia uma base com uma superfície de 300 hectares dotada de dez silos com mísseis capazes de interceptar e derrubar foguetes que possam ser lançados a partir do Oriente Médio.

Essa base em território polonês e outra de radares na República Tcheca fariam parte do escudo antimísseis que protegeria os Estados Unidos e se somariam às bases já instaladas no Alasca e na Califórnia, assim como à que o Governo americano quer construir no Japão.

As autoridades russas consideram que a estação de radar em território tcheco permitiria ao Pentágono controlar as bases de mísseis estratégicos localizadas na parte européia da Rússia e os submarinos nucleares de sua Frota do Norte.

Além disso, temem que os mísseis interceptores em solo polonês possam derrubar foguetes russos durante seu lançamento, antes que a ogiva chegue a sua altura normal e tome a direção de seu alvo.