Agência EFE
PEQUIM - Os negociadores dos seis países que tentam acabar com a crise nuclear da Coréia do Norte se esforçam neste fim de semana, em Pequim, para eliminar os obstáculos que ainda impedem os primeiros passos rumo à desnuclearização da península.
Representantes dos Estados Unidos, das duas Coréias, Japão, Rússia e China tentam neste sábado, no terceiro dia da atual reunião, pôr em prática a declaração de 2005.
O chefe da delegação norte-coreana, Chun Yung Woo, se mostrou prudente ao comentar a possível rapidez de um acordo. Ele afirmou que estão em discussão assuntos 'cruciais', segundo a agência oficial chinesa 'Xinhua'.
- Hoje e amanhã serão dias decisivos. Mas é difícil dizer se haverá um acordo. Estamos reduzindo as divergências - disse Chun à imprensa.
O projeto em discussão, elaborado pela China, enumera os passos a seguir para se chegar a uma península coreana desnuclearizada.
- O debate aborda fundamentalmente um ou dois aspectos, ou basicamente um - disse enigmaticamente o negociador americano Christopher Hill. Ele voltou a pedir aos norte-coreanos um esforço para chegar a 'um acordo multilateral'.
O delegado russo, Alexander Losyukov, afirmou que a atual fase será concluída com uma declaração conjunta de duas páginas. O texto apresentará alterações à proposta chinesa sobre o sistema de trabalho dos grupos e a ajuda à Coréia do Norte.
Segundo Losyukov, citado pela agência 'Xinhua', a Coréia do Norte está muito preocupada com a linguagem específica e detalhada de uma eventual declaração conjunta.
Para o negociador japonês, Kenichiro Sasae, as conversas entraram hoje 'num momento difícil'. Ele confirmou que a base da discussão é o documento chinês, alterado após as conversas de ontem. 'Se quisermos um acordo, precisaremos de maiores esforços', comentou.
Aparentemente, a proposta chinesa propõe a suspensão dentro de dois meses dos reatores nucleares da Coréia do Norte, inclusive o de Yongbyon. Em troca, o país receberia energia de fontes alternativas.
Após 48 dias de recesso, os delegados dos seis países tentam voltar ao consenso atingido em setembro de 2005, que já previa o abandono das atividades nucleares norte-coreanas, compensado por ajuda econômica e garantias de segurança.
Há informações de que o aniversário do líder norte-coreano Kim Jong-il, dia 16 de fevereiro, pode ser aproveitado para o anúncio de um acordo que garanta ajuda econômica a seu país.
O negociador americano disse em Pequim que o Governo de George W. Bush não quer 'congelar', e sim 'fechar' as instalações nucleares norte-coreanas.
Hill disse que os maiores obstáculos não são as sanções financeiras impostas pelos EUA por suposta lavagem de dinheiro e venda de armas, que originaram o boicote da Coréia do Norte ao diálogo.
- Há outros problemas que não são fundamentais, mas que Pyongyang considera muito importantes - afirmou.
Segundo fontes sul-coreanas, os EUA estariam dispostos a enviar 500 mil toneladas de petróleo por ano à Coréia do Norte.