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MADRI - A Espanha afirmou nesta sexta-feira que pediria à Argentina para extraditar 40 membros do seu governo militar da 'guerra suja', que responderiam na Justiça por atrocidades cometidas durante o regime de 1976 a 1983.
O juiz da Alta Corte Baltasar Garzón, que tentou extraditar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, quer julgar os argentinos, incluindo o ex-presidente Jorge Videla e o comandante da marinha Emilio Massera por crimes contra a humanidade.
Sob a lei da Espanha, a Alta Corte pode tentar julgar suspeitos de genocídio, terrorismo ou tortura cometidos em qualquer lugar do mundo caso haja espanhóis como vítimas.
- O governo... acertou hoje que irá adiante com o pedido ao governo argentino pela extradição de 40 pessoas acusadas na Espanha de crimes de genocídio, terrorismo e tortura - afirmou em uma nota o Ministério da Justiça.
O ex-capitão da Marinha Adolfo Scilingo foi o primeiro a ser julgado pela Alta Corte sob as leis que permitem o processo por crimes cometidos em outro país.
Scilingo, que veio à Espanha por vontade própria, foi condenado por jogar prisioneiros políticos de aviões durante a guerra suja. Ele foi condenado a 640 anos na prisão em 2005.
O governo espanhol anterior, liderado pelo premiê conservador José Maria Aznar, se mostrou contra as extradições em 2003 para dar à Argentina a chance de levar seus próprios suspeitos a julgamento.
As cortes argentinas começaram a julgar centenas de oficiais militares suspeitos de sequestrar e matar opositores do governo depois de a anistia que os protegia ser eliminada em 2005.