Agência EFE
LONDRES - A Polícia britânica deteve nesta quarta-feira nove homens em uma grande operação antiterrorista, realizada em Birmingham (centro), e que teve como objetivo impedir um suposto complô para seqüestrar um soldado muçulmano britânico.
Oito dos suspeitos foram detidos na madrugada de hoje, em residências desta cidade inglesa, sob suspeita de 'preparação e instigação de atos de terrorismo', segundo confirmou a Polícia do condado de West Midlands.
A nona pessoa foi detida à tarde, em uma estrada de Birmingham, uma das cidades britânicas com maior diversidade étnica, e habitada por uma ampla comunidade muçulmana.
As detenções foram resultado de uma vigilância de seis meses feita pela brigada antiterrorista da Polícia de Midlands, com o apoio da Scotland Yard e o serviço de contra-espionagem MI5.
O subcomissário David Shaw, da Polícia de West Midlands, ressaltou que está em curso 'uma grande investigação', e que a operação ainda deve 'durar dias ou semanas'.
- A ameaça do terrorismo continua muito real - alertou Shaw, ao dizer que os agentes estavam vigiando 12 estabelecimentos - inclusive uma livraria islâmica - nos bairros de Sparkhill, Washwood Heath, Kingstanding e Edgbaston.
No entanto, o subcomissário, que pediu à população muçulmana que colabore com as autoridades, se recusou a fornecer detalhes sobre os supostos terroristas e seus planos.
Segundo a emissora de TV pública 'BBC', que citou fontes das forças de segurança, os suspeitos não tramavam um atentado para causar um grande número de vítimas, como o cometido em 7 de julho de 2005 contra a rede de transporte de Londres, que provocou 56 mortes e deixou 700 feridos.
Ao invés disso, os detidos planejavam seqüestrar um soldado britânico muçulmano, o que supõe um 'enfoque diferente' do terrorismo no Reino Unido.
Fontes ligadas à investigação policial informaram à rede de televisão 'Sky News' que os supostos terroristas, aparentemente de origem paquistanesa, pretendiam imitar os seqüestros realizados por extremistas no Iraque.
De acordo com essas fontes, os detidos possivelmente tinham a intenção de divulgar na Internet um vídeo que mostraria a tortura e a execução do refém, um pesadelo que deixou como vítimas fatais os britânicos Ken Bigley e Margaret Hassan.
Segundo a agência de notícias 'Press Association', que também citou fontes das forças de segurança, o alvo da suposta trama foi identificado, e seria um jovem soldado do Exército britânico, muçulmano, e que serviu no Afeganistão.
Segundo a 'Press Association', o soldado está agora sob proteção policial.
O Ministério da Defesa não quis se pronunciar sobre o caso, enquanto o ministro do Interior, John Reid, advertiu a imprensa que não deve 'divulgar informação ou incentivar rumores que possam atrapalhar a operação, investigação ou futuro julgamento'.
De Downing Street, escritório do chefe do Governo britânico, um porta-voz oficial afirmou que o primeiro-ministro Tony Blair foi informado das operações antiterroristas.
A ação alterou a rotina dos bairros afetados, como o distrito de Sparkhill, onde Saqib Hussain disse que visitou muitas vezes a livraria islâmica que está sendo vigiada, e nunca teve 'suspeita alguma de atividade terrorista'.
Já Ayub Pervaz, presidente da principal mesquita da área, o Centro Islâmico Alum Rock, afirmou que, 'se alguém descumpriu a lei, deveria ser levado à Justiça'.
- No entanto, também pedimos à imprensa que não faça nenhum julgamento. Se algum dos detidos for inocente, isso deve ficar muito claro', acrescentou Pervaz.