Agência EFE
RIO - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou hoje que não pretende 'contaminar o Mercosul com socialismo', mas se permitiu sugerir respeitosamente aos membros do bloco uma 'maior presença dos Estados na economia', para fazer frente ao imperialismo.
- Não venho propor ao Mercosul o socialismo, não venho contaminá-lo com socialismo, marxismo ou leninismo - disse Chávez, no plenário da cúpula do Mercosul, bloco ao qual a Venezuela está em processo de adesão.
Chávez, que se definiu como um 'socialista novo e renovado', se permitiu fazer uma 'respeitosa sugestão' aos seus colegas sul-americanos, ao dizer que 'é preciso dar ao bloco uma maior presença do Estado na economia'.
Segundo o presidente da Venezuela, esta é uma ferramenta para que o Estado se torne uma referência, diante das vontades das grandes multinacionais, que 'desejam a nossa desintegração', e representam o modelo imperialista imposto pelos Estados Unidos.
Chávez também criticou a predominância do modelo capitalista nos bancos centrais da região que, segundo afirmou, fingem ser autônomos, mas 'sob uma tese perversa, seguem as diretrizes do Fundo Monetário Internacional, mesmo contra os interesses de suas nações'.
- A época neoliberal na América Latina chegou ao fim - afirmou Chávez, que reconheceu, no entanto, que 'boa parte do comércio regional é decidido pelas transacionais capitalistas', e afirmou que os modelos econômicos 'ainda são altamente dependentes do exterior'.
Para pôr fim a esta dependência, Chávez propôs avançar na articulação de alianças entre empresas estatais nas áreas de gás e produção de alimentos, como já é feito por companhias como a Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA), a Petrobras e a argentina Enarsa.
Além disso, o presidente venezuelo disse que o Mercosul pede com urgência pela criação do Banco do Sul.
Segundo Chávez, a instituição deverá concentrar parte das reservas dos bancos centrais dos países-membro, entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões, para não depender mais dos organismos de crédito internacionais, e financiar boa parte dos projetos de infra-estrutura dos quais a região necessita.
Chávez também rebateu as críticas em relação à sua intervenção nos assuntos internos de outros países.
Sobre o tema, o presidente venezuelano lembrou que o próprio vice-presidente do Paraguai, Luis Castiglioni, afirmou que ele iria "contaminar de ideologia o Mercosul'.
- Às vezes, é preciso respirar fundo para não responder, mas entendo que são jogadas para impedir que esta nova era se traduza em integração - disse Chávez, que afirmou respeitar profundamente a soberania de cada país, e seus processos eleitorais.
Chávez também confirmou que não renovará a concessão da licença da 'Radio Caracas Televisión'.
- Terão que me derrubar para que eu renove a concessão - afirmou.