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Argentina procura demonstrar 'política de dissuasão' diante da CIJ

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EFE

BUENOS AIRES - A Argentina buscará demonstrar amanhã diante da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que possui "uma política de dissuasão" nos bloqueios realizados por argentinos na fronteira com o Uruguai, com o objetivo de refutar a reivindicação do país, informaram hoje fontes governamentais. A delegação argentina tentará mostrar que "não promove" o bloqueio em uma passagem fronteiriça realizado pelos habitantes da região em rejeição à instalação de uma fábrica de celulose por parte da finlandesa Botnia na cidade uruguaia de Fray Bentos, nas margens do rio Uruguai, detalharam os porta-vozes.

Esta é a estratégia que será implementada pelo Governo de Néstor Kirchner durante a primeira audiência pública do tribunal que será realizada segunda-feira, para tratar da reivindicação do Uruguai, que pede a adoção de medidas cautelares sobre a livre circulação de bens e pessoas vindos da Argentina. A delegação vai demonstrar "que o país tem uma política de dissuasão e persuasão, não de repressão", diante do bloqueio promovido desde 20 de novembro pelos moradores da cidade argentina de Gualeguaychú na estrada que conduz à passagem fronteiriça com a uruguaia Fray Bentos, detalharam as fontes.

Enquanto isso, os integrantes da Assembléia de Gualeguaychú ratificaram em reunião sexta-feira sua vontade de continuar com o bloqueio "até que a Botnia se abandone seu projeto e mude de lugar". A delegação, composta por sete pessoas, insistirá em que a Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ) não tem "competência" para intervir no que diz respeito aos bloqueios de passagens fronteiriças.

A Argentina pretende acionar a Corte da ONU na suposta "violação" do Uruguai ao Tratado do Rio Uruguai, assinado entre ambos os países, pelo qual as autoridades locais apresentaram este ano um requerimento diante do organismo internacional. Baseado no convênio, o Governo argentino sustenta que o Uruguai deveria tê-lo consultado para a construção da fábrica de celulose localizada à beira do rio que compartilham os dois países. Neste sentido, a Argentina sustenta que a fábrica é de risco para o meio ambiente, o qual é rejeitado pela administração de Tabaré Vázquez, que apóia a iniciativa.

De toda forma, a audiência de amanhã, que poderia se estender até terça-feira, não abordará ainda as questões de conteúdo da disputa que a Argentina iniciou contra o Uruguai. A audiência se concentrará no pedido de Montevidéu, como medida preventiva, para que a Corte "tome as medidas apropriadas para prevenir ou finalizar a interrupção do trânsito entre o Uruguai e Argentina". O Uruguai expressa seu temor de que a interrupção do trânsito na ponte se prolongue "até o final de fevereiro de 2007", o qual terá um custo de "centenas de milhões de dólares".

Além disso, denunciou que o Governo da Argentina "não empreendeu ação alguma contra o bloqueio" da ponte e manifestou seu temor de que seu vizinho "não tem intenção de frear" a situação. No entanto, as fontes consultadas afirmaram que o Governo é "cauteloso" em relação ao resultado da audiência, que reflete um novo capítulo do conflito iniciado há três anos.