EFE
ROMA - Os panfletos lançados das janelas do jornal "Il Manifesto' antes da passagem do Papa Bento XVI, nos quais se lia "Deixe-nos em Pacs', foram motivo de duras críticas por membros do Governo e da oposição.
Os meios de comunicação italianos publicaram neste sábado que cerca de 200 panfletos foram jogados das janelas da redação minutos antes da passagem do Papa pela rua onde fica a sede do 'Il Manifesto' até a Praça da Espanha, para a tradicional oferta de flores à Virgem da Imaculada Conceição.
Clemente Mastella, ministro da Justiça e líder do Udeur, partido que faz parte da coalizão de Governo, criticou o gesto de ontem porque 'não respeita as idéias dos outros' e afirmou que 'foi um episódio ainda mais grave porque partiu de profissionais da informação'.
- O episódio de ontem contra o Papa foi intolerante, estúpido e parcial - afirmou neste sábado Mastella em comunicado.
O senador do partido direitista Aliança Nacional, Alfredo Mantovano, disse que o 'Il Manifesto' é uma 'perigosa expressão do fundamentalismo laico'.
O diretor do jornal italiano, Gabriele Polo, assumiu toda a responsabilidade pelos panfletos que foram lançados das janelas da redação.
- Foi uma iniciativa espontânea com a qual concordo plenamente. Não sei quem foi e não quero saber, porque, mesmo se soubesse, não diria - afirmou Polo.
Os panfletos traziam a primeira página do 'Il Manifesto' de 20 de abril de 2005, dia seguinte à escolha de Bento XVI, com o título: 'O pastor alemão' e, embaixo, a frase 'Deixe-nos em Pacs'.
A frase fazia um jogo com a palavra 'Paz' e a sigla Pacs, do Pacto Civil de Solidariedade, que regula as uniões estáveis e que é tema de debate na Itália após o anúncio pelo Governo de centro-esquerda da preparação de uma lei para regulamentar os direitos dos casais sem união oficializada.