Reuters
SANTIAGO (Chile) - Médicos disseram nesta terça-feira que o ex-ditador chileno Augusto Pinochet recuperava-se bem do ataque cardíaco sofrido no fim de semana e responsável, segundo a família dele, por quase matá-lo.
- Hoje, ele vai sair da cama e submeter-se a procedimentos médicos dentro do hospital - afirmou o médico Juan Ignacio Vergara, do lado de fora do hospital militar onde Pinochet, 91, está internado.
- O estado de saúde do general é bom. Ele está bem, está consciente, está falando e comendo - disse.
Pinochet, acusado de assassinato e tortura durante seu regime ditatorial (1973-1990), submeteu-se a uma angioplastia na manhã de domingo a fim de desentupir artérias cardíacas bloqueadas.
Segundo Vergara, o ex-ditador continuará hospitalizado por ao menos dez dias.
Marco Antonio Pinochet, filho mais novo do general, afirmou que o pai, o mais conhecido dos ditadores que governaram vários dos países sul-americanos nos anos 1970 e 1980, ficou à beira da morte em virtude do ataque cardíaco.
- Se ele tivesse chegado (ao hospital) cinco minutos mais tarde, teria morrido, segundo me contaram os médicos - disse ele.
Muitos chilenos de esquerda afirmam que o ex-ditador fingiu ter problemas de saúde a fim de evitar os processos nos quais é acusado de abuso dos direitos humanos e de sonegação fiscal.
Pinochet ainda provoca fortes emoções entre os chilenos, mesmo que não seja mais uma figura relevante dentro do cenário político do país, dominado há 16 anos pela centro-esquerda formada por ativistas exilados durante o regime militar.
Na semana passada, a Justiça decretou a prisão domiciliar de Pinochet devido à acusação de assassinato de dois dos guarda-costas de Allende, em 1973.