Reuters
BAGDÁ - As duas principais autoridades norte-americanas no Iraque fizeram na segunda-feira um apelo aos iraquianos para que não deixem o país mergulhar num ciclo vicioso de assassinatos e vinganças com motivos sectários.
- Isso destruirá vocês e o seu país - disseram o embaixador Zalmay Khalilzad e o general George Casey.
Num sinal de que o ciclo vicioso já está em andamento, a polícia anunciou a descoberta de mais 50 corpos em Bagdá. O apelo do embaixador e do principal comandante dos EUA no Iraque foi feito um dia depois de o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ter declarado que o Iraque está à beira da guerra civil, e que concorda com os iraquianos que dizem que a vida deles está pior agora do que sob o domínio de Saddam Hussein.
Os esquadrões da morte transformaram Bagdá num campo de execuções. Os 50 corpos encontrados são aparentemente de vítimas da carnificina olho-por-olho entre xiitas e sunitas. Segundo um funcionário do Ministério do Interior, todos foram mortos a tiros e a maioria tinha sinais de tortura. Esse número até poderia parecer elevado há três meses, mas hoje ele é praticamente a norma, já que as estimativas dão conta de que até 120 pessoas morram por dia só em Bagdá, nos conflitos sectários.
A reunião do presidente George W. Bush com um dos mais poderosos líderes da maioria xiita, Abdul Aziz al-Hakim, na Casa Branca, está sendo encarada por especialistas como um envolvimento maior de Bush com a política iraquiana na tentativa de buscar uma nova estratégia para estabilizar o país e permitir a retirada das tropas americanas.