Reuters
HAVANA - O presidente interino de Cuba, Raúl Castro, irmão de Fidel, é o firme guardião do sistema socialista da ilha, disse na quinta-feira o ministro das Comunicações de Cuba, Ramiro Valdés.
Fidel Castro, 80, não é visto em público desde que entregou o poder a Raúl, em julho, depois de se submeter a uma operação no intestino. A natureza de sua doença não foi revelada.
As declarações do ministro, um dos líderes históricos da revolução de 1959, parecem reforçar a percepção de alguns cubanos de que Fidel esteja doente demais para voltar ao governo.
- Em seus méritos, seus atributos, sua firmeza, sua lealdade, reconhecemos Raúl como firme guardião da revolução - disse Valdés durante uma cerimônia militar em Santiago de Cuba, a segunda maior cidade do país, que fica a 869 km de Havana.
O termo usado pelo ministro para guardião foi 'cancerbero', que vem da figura mitológica do cão Cérbero, de várias cabeças, que guardava a entrada do inferno. O governo cubando diz que Fidel está se recuperando, mas não se sabe quando nem como ele retomará a vida pública.
- Nestes meses, todo o povo, o Partido (Comunista), as Forças Armadas Revolucionárias, o Ministério do Interior, os quadros da revolução, cresceram lado a lado com Raúl - disse Valdés, ex-vice do guerrilheiro Ernesto Che Guevara e considerado um homem linha-dura.
Cuba promove nesta semana uma comemoração atrasada do aniversário de 80 anos de Fidel, com conferências, concertos e um desfile militar. Mas a reaparição em público do homem que governou Cuba por quase meio século permanece um mistério.
Na terça-feira, Fidel não assistiu à abertura dos festejos, porque, segundo seus médicos, ainda não tinha condições. A expectativa está concentrada agora no desfile militar, o primeiro em uma década, marcado para o sábado em Havana.
Valdés, 74, que já foi ministro do Interior e que foi colocado à frente da pasta das Comunicações por Raúl Castro, disse que o 'inimigo ianque' não deve alimentar ilusões sobre uma mudança política em Cuba.
- Nunca fomos mais fortes nem estivemos mais unidos e alertas - disse ele num discurso em Santiago.