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Santiago Peña é eleito presidente e mantém hegemonia de 70 anos da direita no Paraguai

Candidato governista obteve 43,5% dos votos e superou o progressista Efraín Alegre por mais de 15 pontos percentuais

Por JORNAL DO BRASIL
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Publicado em 30/04/2023 às 22:29

Alterado em 30/04/2023 às 23:00

Candidato governista Santiago Peña é eleito presidente do Paraguai Reprodução/Twitter

Havia uma expectativa de que as eleições presidenciais do Paraguai, neste domingo (30), colocariam fim à hegemonia de 70 anos do partido Colorado no poder. As pesquisas eleitorais, porém, não corresponderam à verdadeira vontade popular. O economista Santiago Peña, de 44 anos, está eleito com 42,74% dos votos e toma posse do cargo no dia 15 de agosto. O mandato é de cinco anos, até agosto de 2028.

Representante da direita paraguaia, Peña obteve mais 1,2 milhão de votos totais e, a despeito das previsões de equilíbrio na véspera, ganhou com uma vantagem de quase 16 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Efraín Alegre, do Partido Liberal, que tem 27,6%. Esperava-se que a disputa fosse concorrida, pois o candidato da esquerda havia conseguido formar uma coalizão ampla e aparecia bem nas pesquisas.

Com 99,09 % das urnas apuradas, o resultado é o seguinte:

  1. Santiago Peña: 42,74 %
  2. Efraín Alegre: 27,48 %
  3. Payo Cubas: 22,93 %

Diante de uma vantagem irreversível, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) declarou o candidato governista - Peña representa a continuidade do setor que governa atualmente, com Abdo Benítez - como presidente eleito. Mesmo antes da definição, quando a apuração já apontava a liderança do vencedor, o atual presidente, Mario Abdo Benítez afirmou em uma rede social que seu colega tinha sido eleito.

Nas eleições de 2023, Alegre obteve 27,6% [pouco mais de 700 mil votos totais]. A performance foi significativamente abaixo da conquistada há cinco anos, quando ele superou a marca de um milhão de votos, ficando com 43,1% [3,3% a menos que o vencedor, Abdo Benítez]. Ele foi derrotado em 2018 por Benítez e novamente este ano, diante de Peña.

O terceiro colocado neste ano foi o ultranacionalista Payo Cubas, do partido Cruzada Nacional. Ele obteve cerca de 22,1% dos votos [pouco mais de 500 mil votos totais], alcançando o melhor resultado da extrema direita na história do Paraguai.

Outro representante da extrema direita, o ex-goleiro José Luis Chilavert, chegou a figurar em quarto lugar em algumas pesquisas no início do ano, mas sua candidatura acabou se desinflando na reta final, e ele terminou em quinto, com 0,8% [pouco menos de 20 mil votos totais].

 

Hegemonia septuagenária

A vitória do economista também significa que o Partido Colorado mantém sua hegemonia no Paraguai, iniciada com a chegada ao poder de Juan Natalicio González, em agosto de 1948. Desde então, a legenda conservadora quase nunca perdeu o poder no país, entre mandatos democráticos e o período ditatorial liderado pelo general Alfredo Stroessner (1954-1989).

O único período presidencial no Paraguai que não foi liderado pelos colorados aconteceu entre 2008 e 2013, quando Lugo venceu as eleições e governou até 2012, ano em que foi vítima de um golpe de Estado parlamentar orquestrado pelo Partido Liberal, do seu então vice Federico Franco, que governou durante o último ano de mandato.

Ainda assim, acreditava-se que a popularidade do partido estaria em baixa por uma série de fatores. Economia desacelerada, acusações de corrupção e opiniões dos candidatos sobre Taiwan foram os principais temas de campanha. O Paraguai é uma das 13 nações que mantêm relações diplomáticas formais com a ilha que a China considera seu território.

Alegre criticou esses laços que dificultaram a venda de soja e carne bovina para a China, um grande comprador global, e disse que a economia agrícola do país não obtém retorno suficiente deTaiwan. Peña disse que manteria laços com Taiwan.

 

Lula parabeniza presidente eleito

O presidente Lula parabenizou o novo líder eleito do Paraguai, Santiago Peña, em publicação no Twitter. Na mensagem, o mandatário brasileiro desejou sorte em seu mandato e defendeu ações para criar "relações cada vez melhores e mais fortes entre nossos países", além de "uma América do Sul com mais união, desenvolvimento e prosperidade".

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