MUNDO
Trump teria escondido documentos em Mar-a-Lago durante primeiras buscas do FBI
Por JORNAL DO BRASIL
[email protected]
Publicado em 31/08/2022 às 10:21
Alterado em 31/08/2022 às 10:23
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump Reuters
Inês Moreira Santos - Donald Trump teria tentado esconder mais documentos durante a primeira inspeção do FBI à sua mansão em Mar-a-Lago, em agosto. A conclusão é do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que acredita que o antigo presidente norte-americano e os seus advogados pretendiam "obstruir a investigação".
Em um documento de 54 páginas, o Departamento de Justiça divulgou, nesta terça-feira (31), detalhes sobre a investigação e as motivações para o mandado de busca à propriedade de Donald Trump na Florida, no qual foram apreendidos dezenas de documentos com informações confidenciais.
De acordo com os promotores, os assessores do antigo chefe de Estado dos EUA garantiram falsamente que os documentos guardados em Mar-a-Lago tinham sido todos devolvidos durante a inspeção do Arquivo Nacional, em junho.
Antes da inspeção, o FBI tinha suspeitas e algumas provas que indicavam que “documentos classificados” estariam em Mar-a-Lago desde que o ex-presidente deixou a Casa Branca. O responsável do Departamento de Justiça, Jay Bratt, declarou mesmo no relato detalhado que havia “provas de que os registros governamentais foram ocultados e removidos”.
“Provavelmente foram feitos esforços para obstruir a investigação do Governo”, acrescentou o documento, o que motivou as inspeções de uma equipe do Arquivo Nacional, em junho, e do FBI, em agosto, à mansão de Trump na Florida.
Segundo as autoridades, a divulgação das motivações das buscas à residência de Trump visavam “corrigir a narrativa incompleta e imprecisa” apresentada pelo antigo inquilino da Casa Branca.
Cooperação à investigação 'em dúvida'
Depois de, em maio, um advogado de Donald Trump ter aceito uma intimação do tribunal para entregar arquivos levados da Casa Branca, o FBI realizou a primeira busca à residência de Mar-a-Lago. Segundo o Departamento de Justiça, o representante legal do ex-presidente entregou a Jay Bratt materiais confidenciais e assinou um documento certificando que tinha sido realizada “uma busca diligente” e que todos os documentos tinham sido devolvidos. Além disso, o advogado garantiu às autoridades que não havia registro de mais arquivos classificados na mansão de Trump.
Contudo, umas semanas depois o FBI descobriu provas de que estariam ainda escondidos mais documentos confidenciais retirados da Casa Branca na residência.
“O fato de o FBI, em apenas umas horas, ter recuperado o dobro dos documentos classificados do que na primeira ‘busca diligente’ que o advogado do ex-presidente e outros representantes tiveram para fazer, põe em questão as garantias da certidão de 3 de junho e levanta dúvidas sobre a verdadeira cooperação neste caso”, diz o documento divulgado nesta terça-feira.
Na segunda busca, em 8 de agosto, foram apreendidos “33 itens, a maioria caixas”.
“Três documentos sigilosos que não estavam localizados em caixas, mas sim localizados nas mesas do ‘Escritório 45’, também foram apreendidos”, detalhou ainda o Departamento de Justiça, acrescentando que para além das “informações classificadas como confidenciais”, havia outros documento “tão secretos” que os agentes do FBI precisaram de autorização adicional para os rever.
O Departamento de Justiça indicou ainda que os materiais classificados estavam “misturados” com objetos pessoais de Donald Trump, o que revela “provas relevantes de ofensas legais sob investigação”. Três dos documentos apreendidos foram encontrados numa “gaveta da mesa”.
“Quaisquer registros presidenciais apreendidos de acordo com o mandado de busca pertencem aos Estados Unidos, não ao ex-presidente”, argumentou Bratt. “O ex-presidente não cita nenhum caso – e o Governo não tem conhecimento de nenhum – em que o privilégio executivo tenha sido invocado com sucesso para proibir o compartilhamento de documentos dentro do Poder Executivo".
Esta declaração do Departamento de Justiça surge em resposta ao pedido de Trump, na semana passada, para que uma entidade independente examinasse os ficheiros apreendidos na rusga do FBI, que procurava materiais protegidos. A nomeação de uma entidade independente pode potencialmente bloquear o acesso dos investigadores aos documentos, especialmente se essa entidade aceitar as alegações de Trump.
O texto agora entregue pelo Departamento de Justiça defende que o tribunal não deve nomear um "mestre especial", "porque esses registos não pertencem" a Donald Trump.
A "nomeação de um 'mestre especial' é desnecessária e prejudicaria significativamente interesses governamentais importantes, incluindo interesses de segurança nacional", acrescenta o documento.
Donald Trump, por seu lado, acusou o Departamento de Justiça de conduzir uma "caça às bruxas" e disse que o juiz "nunca deveria ter permitido a invasão" da sua casa. (com RTP)