Declaração final do G20 chega a acordos sobre clima e vacinas

Após muito debate, países conseguiram um consenso importante

Foto: Erin Schaff / Reuters
Credit...Foto: Erin Schaff / Reuters

Após muitas horas de conversas e negociações, a Declaração Final da cúpula do G20 de Roma conseguiu atingir consenso sobre as metas para lutar contra as mudanças climáticas e também sobre uma maior distribuição de vacinas contra a Covid-19 no mundo.

Um dos pontos mais importantes foi o compromisso maior sobre a elevação da temperatura média global: dos 2°C previstos no Acordo de Paris, os líderes diminuíram para 1,5°C. A medida era muito defendida pelo primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, que disse que a alteração era necessária porque essa é a nova previsão dos especialistas científicos para frear drásticas mudanças.

O texto diz que as nações "continuam empenhadas com o Acordo de Paris para manter o aumento da temperatura global sob 2°C e de prosseguir os esforços para limitá-lo em 1,5°C". "Os impactos das mudanças climáticas em 1,5°C são muito inferiores em relação aos 2°C. Manter o objetivo de 1,5°C é uma grande manobra, que pedirá ações significativas e eficazes e o compromisso por todos os países", diz o texto.

Porém, outro ponto polêmico, o de neutralizar as emissões de carbono até 2050 sofreu alterações. Ao invés de citar uma data específica, o documento cita que esse compromisso deve ser atingido "até ou por volta da metade do século". O trecho sofreu críticas da China e da Índia, que estimam atingir o objetivo até 2060, mas também da Rússia.

Segundo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, o ano de 2050 "não é um número mágico" e se "a União Europeia acredita nisso, os outros países tem outras ambições".

"A Rússia vai buscar atingir a neutralidade até 2060. Não foi elegante [...] e não foi respeitoso com os outros países do G20 apresentar a meta do G7", criticou o russo. Ao mesmo tempo, Lavrov agradeceu a presidência italiana por ter "ajudado a fechara a negociação" em Roma.

Já entre os pontos mais facilmente acordados, estão o fim do financiamento para a construção de novas centrais que usem carvão como energia até o fim de 2021 e que os países têm compromissos "comuns, mas diferentes" quando o assunto é o combate às mudanças climáticas. Isso significa que os países mais pobres ou emergentes precisam de ajuda financeira dos países mais ricos para enfrentar "os custos da transição verde".

Por conta disso, os líderes concordaram com um fundo para o clima no valor de 100 bilhões de euros para apoiar os países de baixa e média renda em todo o mundo. Eles também afirmaram que serão necessárias "novas ações" sobre o clima ainda nessa década.

Vacinação

Além do clima, os líderes do G20 firmaram acordos sobre a vacinação e o combate à pandemia de Covid-19, bem como sobre o enfrentamento de novas crises sanitárias. Conforme havia sido anunciado, foram confirmadas as metas de 40% da população mundial vacinada até o fim de 2021 e de 70% até a metade de2022.

"Para contribuir e avançar no objetivo de vacinar ao menos 40% da população mundial em todos os países até o fim de 2021 e de 70% até a metade de 2022, tomaremos medidas para contribuir no aumento do fornecimento das vacinas e produtos e instrumentos médicos essenciais nos países em via de desenvolvimento e remover vínculos relativos a restrições de financiamentos", diz o documento.

Afirmando que haverá um reforço nos investimentos na ciência, os chefes de governo e Estado estipularam que deve ser reduzido para 100 dias o prazo para desenvolver vacinas, testes e remédios no caso de novas pandemias. Atualmente, esse ciclo pode demorar até 300 dias.

Atendendo em partes os pedidos de China e Rússia, de um reconhecimento mais rápido das vacinas anti-Covid produzidas nesses países, os líderes se comprometeram a "reiniciar as viagens internacionais de maneira segura e ordenada".

"Para tal fim, levando em consideração as politicas nacionais de saúde pública, reconhecemos a importância de padrões compartilhados para garantir viagens sem interrupções, incluindo os requisitos e os resultados dos testes, os certificados de vacinação, a interoperacionalidade e o reconhecimento recíproco das aplicações digitais, continuando a proteger a saúde pública e garantindo a privacidade e a proteção dos dados", diz o documento.

Outros temas

O texto ainda ressalta a importância de focar nas mulheres e nas adolescentes "que foram atingidas de maneira desproporcional pela pandemia" e de colocá-las no "centro de nossos esforços para poder andar adiante de maneira melhor".

"Nos compromissamos a aplicar o planejamento do G20 para e além do objetivo de Brisbane e para melhorar rapidamente a qualidade e a quantidade do trabalho feminino, com particular atenção para colocar fim às desigualdades de gênero", ressalta ainda.

Os líderes do G20 ainda pontuaram sobre a "plena inclusão dos migrantes" nas sociedades, já que a pandemia também forço o deslocamento de milhares de pessoas.

"Nos comprometemos em tomar medidas para apoiar a plena inclusão dos migrantes, incluindo os trabalhadores, e os refugiados, no espírito de cooperação internacional e em linha com as políticas, as legislações e as circunstâncias nacionais, garantindo o pleno respeito aos seus direitos e liberdades fundamentais independentemente do seu status migratório", ressalta.(com agência Ansa)

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais