Chefe da Tóquio 2020 não descarta cancelamento de última hora

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Foto: Reuters / Kim Kyung-Hoon
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O chefe do comitê organizador Tóquio 2020 não descartou, nesta terça-feira (20), o cancelamento da Olimpíada se casos de covid-19 aumentarem, já que mais atletas testaram positivo para o vírus e patrocinadores rejeitaram os planos de comparecer à cerimônia de abertura na sexta-feira (23).

Questionado em uma entrevista coletiva sobre se a mostra esportiva global ainda pode ser cancelada, Toshiro Muto disse que ficaria de olho nos números de infecções e entraria em contato com outros organizadores, se necessário.

“Vamos continuar as discussões se houver aumento de casos”, disse Muto.

"Concordamos que, com base na situação do coronavírus, convocaremos as negociações de cinco partes novamente. Neste ponto, os casos de coronavírus podem aumentar ou diminuir, então vamos pensar sobre o que devemos fazer quando a situação surgir."

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Toshiro Muto, CEO do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, participa de uma coletiva de imprensa em Tóquio (Foto: Reuters/Issei Kato/Pool)

Um porta-voz da Tokyo 2020 disse mais tarde que os organizadores estavam "100% concentrados em realizar Jogos de sucesso".

Casos crescentes de covid-19 em Tóquio lançaram uma grande sombra sobre um evento que, já tendo sido adiado no ano passado por causa da pandemia, agora acontecerá sem espectadores. O Japão decidiu este mês que os participantes competiriam em locais vazios para minimizar os riscos à saúde.

Houve 67 casos de infecções por covid-19 no Japão entre os credenciados para os Jogos desde 1º de julho, quando muitos atletas e oficiais começaram a chegar, disseram os organizadores nesta terça-feira.

O Japão, cujo programa de vacinação ficou aquém do da maioria das outras nações desenvolvidas, registrou mais de 840 mil casos e 15.055 mortes, e a cidade-sede dos Jogos, Tóquio, está experimentando um novo aumento, com 1.387 casos registrados na terça-feira.

Muto, um ex-burocrata financeiro com laços estreitos com o partido governante do Japão, é conhecido por sua escolha cuidadosa de palavras, enquanto as autoridades enfrentam um público interno irritado com as restrições do coronavírus e preocupado com um possível aumento de casos desencadeados por participantes dos Jogos que chegam do exterior.

Os organizadores, para quem o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, disse que cancelar o evento nunca foi uma opção, prometeram manter os Jogos "seguros e protegidos".

Mas os especialistas veem lacunas em uma "bolha" olímpica que exige testes frequentes e foi projetada para limitar os movimentos dos participantes.

Seiko Hashimoto, que senta ao lado de Muto como presidente do comitê organizador, disse que as medidas de segurança introduzidas para tranquilizar o público japonês não necessariamente o fizeram, e que ela estava ciente de que o apoio popular aos Jogos havia diminuído.

"Eu realmente quero me desculpar de coração pelo acúmulo de frustrações e preocupações que o público tem sentido em relação às Olimpíadas", disse Hashimoto na mesma entrevista coletiva.

'DESAFIOS SEM PRECEDENTES'

O primeiro grande teste de como uma Olimpíada pode ser realizada em meio a uma pandemia pode vir no torneio de futebol masculino, quando o Japão enfrenta uma seleção da África do Sul que pode ter dificuldades para colocar 11 jogadores devido ao coronavírus.

Essa partida será realizada na quinta-feira (22), um dia antes da cerimônia de abertura que o principal patrocinador Panasonic Corp., bem como Fujitsu Ltd e NEC Corp irão ignorar. A Toyota Motor Corp  retirou todos os anúncios de TV vinculados aos Jogos nessa segunda-feira (19).

Bach, que a agência de notícias Kyodo disse que se encontraria com o imperador Naruhito do Japão na quinta-feira, disse que os organizadores nunca poderiam ter imaginado os "desafios sem precedentes" de trazer o evento global a Tóquio, elogiando os "esforços heróicos" de equipes médicas e voluntários em todo o mundo em meio à pandemia.

Dois membros da equipe olímpica de beisebol do México testaram positivo para covid-19 no hotel da equipe antes de sua partida para Tóquio, disse a federação de beisebol do país nesta terça-feira.

Os atletas Hector Velazquez e Sammy Solis, que testaram positivo no domingo, foram isolados, assim como todos os membros da equipe aguardando os resultados de mais testes, disse.

Kenji Shibuya, ex-diretor do Instituto de Saúde da População do King's College London, disse que o sistema de bolha dos organizadores já estava "meio quebrado".

“Minha maior preocupação é, claro, sobre se haverá um cluster de infecções na vila (dos atletas) ou algumas das acomodações e interação com a população local”, acrescentou.

O presidente do comitê organizador, Hashimoto, disse que o público estava preocupado "porque eles acham que a situação atual parece mostrar que os manuais que deveriam garantir a segurança não estão proporcionando uma sensação de segurança."

Em uma pesquisa do jornal "Asahi", 68% dos entrevistados expressaram dúvidas sobre a capacidade dos organizadores da Olimpíada de controlar infecções por coronavírus, com 55% dizendo que se opunham à realização dos Jogos. (com agência Reuters)



Vista geral dos anéis olímpicos fora do Estádio Nacional, a principal sede dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
Toshiro Muto, CEO do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, participa de uma coletiva de imprensa em Tóquio