Tragédia climática na Europa continua matando: 157 mortos na Alemanha e na Bélgica

Cientistas há muito dizem que a mudança climática levará a chuvas mais fortes. Mas determinar seu papel levará pelo menos várias semanas para ser pesquisado

Foto: Reuters / Wolfgang Rattay
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Equipes de resgate procuraram sobreviventes em partes da Alemanha e Bélgica devastadas pela enchente desse sábado (16), depois que rios estouraram e enchentes nesta semana destruíram casas e custaram pelo menos 157 vidas.

"Lamentamos com aqueles que perderam amigos, conhecidos, parentes", disse o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, durante uma visita a Erftstadt, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, onde o desastre matou pelo menos 43 pessoas.

"O destino deles está rasgando nossos corações."

Cerca de 133 pessoas morreram nas enchentes no oeste da Alemanha, o pior desastre natural do país em mais de meio século. Isso incluiu cerca de 90 no distrito de Ahrweiler, ao sul de Colônia, de acordo com a polícia. Centenas de pessoas ainda estão desaparecidas.

Cerca de 700 residentes foram evacuados na noite de sexta-feira após o rompimento de uma barragem na cidade de Wassenberg, perto de Colônia, disseram as autoridades.

"Os níveis da água têm se estabilizado desde a noite passada, pode-se dizer que a situação está estável", disse o prefeito de Wassenberg, Marcel Maurer. "É muito cedo para dar tudo certo, mas estamos cautelosamente otimistas."

A barragem Steinbachtal, no oeste da Alemanha, no entanto, continua sob risco de rompimento, disseram as autoridades depois que cerca de 4.500 pessoas foram evacuadas de suas casas rio abaixo.

Steinmeier classificou a enchente como uma tragédia e disse que levaria semanas até que todos os danos, que exigirão vários bilhões de euros em fundos de reconstrução, possam ser avaliados.

Armin Laschet, premiê estadual da Renânia do Norte-Vestfália e candidato do partido governante CDU nas eleições gerais de setembro, disse que falaria com o ministro das Finanças, Olaf Scholz, nos próximos dias sobre o apoio financeiro.

Na Bélgica, o número de mortos subiu para 24, de acordo com o centro nacional de crise, que coordena o esforço de resgate.

"Infelizmente, temos que assumir que esse número continuará a aumentar nas próximas horas e dias", disse o centro em um comunicado. Cerca de 20 pessoas ainda estão desaparecidas.

Falta energia e comunicação

Nos últimos dias, as enchentes, que atingiram principalmente os estados alemães de Renânia-Palatinado e Renânia do Norte-Vestfália e o leste da Bélgica, cortaram o fornecimento de energia e comunicações de comunidades inteiras.

Comunicado da RWE, maior produtora de energia da Alemanha, diz neste sábado que sua mina a céu aberto em Inden e a usina termoelétrica a carvão de Weisweiler foram gravemente afetadas, acrescentando que a usina estava operando com capacidade inferior depois que a situação se estabilizou.

A concessionária espera que os danos fiquem na faixa de dois dígitos de milhões de euros.

Nas províncias do sul da Bélgica, Luxemburgo e Namur, as autoridades se apressaram em fornecer água potável para as famílias sem abastecimento limpo.

O nível da água caiu lentamente nas partes mais atingidas da Bélgica. O centro da crise disse que a situação pode piorar à tarde ao longo do rio Demer, perto de Bruxelas, com cerca de 10 casas sob ameaça de destruição.

O operador de rede ferroviária belga Infrabel publicou planos de reparos nas linhas, algumas das quais estariam de volta ao serviço apenas no final de agosto.

O primeiro-ministro Alexander De Croo e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visitaram algumas das áreas mais afetadas do país na tarde de sábado.

Alerta na Holanda

Os serviços de emergência na Holanda também permanecem em alerta máximo, pois o transbordamento de rios ameaçou cidades e vilarejos em toda a província de Limburg, no sul.

Dezenas de milhares de residentes na região foram evacuados nos últimos dois dias, enquanto soldados, bombeiros e voluntários trabalharam freneticamente durante a noite dessa sexta-feira para reforçar os diques e evitar inundações. 

Os holandeses até agora escaparam de um desastre na escala de seus vizinhos, e até esse sábado de manhã nenhuma vítima havia sido registrada.

Os cientistas há muito dizem que a mudança climática levará a chuvas mais fortes. Mas determinar seu papel nessas chuvas implacáveis levará pelo menos várias semanas para ser pesquisado, disseram os cientistas na sexta-feira. (com agência Reuters)