Enchentes continuam fortes na Europa Ocidental, com número de mortos em mais de 110

Comunidades inteiras ficaram em ruínas depois que rios transbordaram e varreram cidades e vilas nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, Bélgica e Holanda

Reuters / Rhein-Erft-Kreis
Credit...Reuters / Rhein-Erft-Kreis

Mais de 1.000 pessoas desapareceram nas regiões atingidas pelas enchentes do oeste da Alemanha e da Bélgica nestaa sexta-feira, onde as águas ainda estavam subindo com o número de mortos já bem acima de 100. As comunicações em algumas áreas estão cortadas.

Comunidades inteiras ficaram em ruínas depois que rios transbordaram e varreram cidades e vilas nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado, Bélgica e Holanda.

"Foi terrível não poder ajudar as pessoas", disse Frank Thel, residente de Schuld, na Renânia-Palatinado, à agência Reuters em frente a uma pilha de escombros. "Eles acenavam para nós das janelas. As casas desabavam à esquerda e à direita deles".

Só na Alemanha, 103 pessoas morreram naquela que é a pior perda em massa de vidas no país em anos. Doze dos mortos eram residentes de um asilo para deficientes em Sinzig, ao sul de Colônia, que foram surpreendidos pelas enchentes durante a noite.

O número de mortos deve aumentar ainda mais à medida que mais casas desabaram, enquanto na Bélgica, a mídia disse que pelo menos 14 morreram.

Cerca de 114.000 residências na Alemanha ficaram sem energia nesta sexta-feira (16) e as redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas regiões inundadas, o que significa que a família e os amigos não conseguiram rastrear seus entes queridos.

PREOCUPAÇÃO COM AS BARRAGENS

Na Renânia-Palatinado, um dos estados da Alemanha, cerca de 1.300 pessoas foram dadas como desaparecidas no distrito de Ahrweiler, ao sul de Colônia, disse o governo distrital no Facebook.

Mais ao norte, em Erftstadt, várias casas desabaram na manhã desta sexta-feira, e as autoridades temiam vítimas.

As estradas ao redor da cidade ficaram intransitáveis depois de serem arrastadas pelas enchentes. Equipes de resgate tentaram alcançar os residentes de barco e tiveram que se comunicar por walkie-talkie.

"A rede entrou em colapso. A infraestrutura entrou em colapso. Os hospitais não podem receber ninguém. Os lares de idosos tiveram que ser evacuados", disse uma porta-voz do governo regional de Colônia.

Os militares alemães implantaram mais de 700 soldados para apoiar os esforços de resgate.

As autoridades temem que mais represas possam transbordar, derramando enchentes descontroladas nas comunidades abaixo, e estão tentando aliviar a pressão liberando mais água delas.

Cerca de 4.500 pessoas foram evacuadas rio abaixo da barragem Steinbachtal, no oeste da Alemanha, que corria o risco de rompimento durante a noite, e um trecho da rodovia foi fechado.

A devastação das enchentes, atribuída por meteorologistas a uma mudança climática na corrente de jato que trouxe água terrestre que antes ficava no mar, pode abalar uma eleição que até agora viu pouca discussão sobre o clima.

As propostas dos verdes, ocupando um distante segundo lugar nas pesquisas para os conservadores da chanceler Angela Merkel, de introduzir limites de velocidade nas rodovias para reduzir as emissões de carbono causaram indignação. Mas essa ilustração dramática do poder bruto da natureza desprezada poderia redirecionar a campanha antes da votação de setembro.

Um dos candidatos à sucessão de Merkel, Armin Laschet de seu partido, estava no centro do palco como primeiro-ministro da Renânia do Norte-Vestfália, onde 23 cidades e distritos rurais sofreram grandes danos.

"É uma triste certeza que tais eventos extremos determinarão nossa vida cotidiana com cada vez mais frequência no futuro", disse Laschet, acrescentando que mais medidas são necessárias para combater o aquecimento global.

A chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a escala e a intensidade das inundações são uma indicação clara da mudança climática e demonstram a necessidade urgente de agir, ecoando uma mensagem anterior da própria Merkel.

DIQUES DE REFORÇO

Milhares de residentes no norte da província de Limburg, na vizinha Holanda, foram obrigados a deixar suas casas na manhã de sexta-feira, devido ao pico das enchentes.

Os serviços de emergência estavam em alerta máximo e as autoridades também reforçavam os diques ao longo de trechos vulneráveis, onde as enchentes continuam aumentando.

As águas estavam baixando na cidade de Maastricht, no sul, onde não houve enchentes, e na cidade de Valkenburg, onde os danos foram generalizados, mas ninguém ficou ferido.

Na Bélgica, pelo menos quatro pessoas estavam desaparecidas. O centro de crise da Bélgica exortou as pessoas em grandes partes do sul e do leste do país a não viajarem.

A França enviou 40 militares e um helicóptero para Liege, na Bélgica, para ajudar na situação de inundação, disse o primeiro-ministro Jean Castex no Twitter.

"As águas estão subindo cada vez mais. É assustador", disse Thierry Bourgeois, 52, na cidade belga de Liege. "Eu nunca vi nada parecido."

Na cidade de Maaseik, na fronteira holandesa, o Mosa havia ultrapassado um muro de contenção e transbordava de sacos colocados em cima.

Várias cidades e vilas já estavam submersas, incluindo Pepinster perto de Liege, onde cerca de 10 casas desabaram parcial ou totalmente.

O número de mortos na Alemanha é o maior de qualquer catástrofe natural desde uma enchente mortal no Mar do Norte em 1962, que matou cerca de 340 pessoas. A queda de um trem ICE de alta velocidade em 1998 matou 101 pessoas.

Inundações no rio Elba em 2002, que na época foram anunciadas pela mídia como "inundações que acontecem uma vez por século", mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a região da Europa Central.

O ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, disse à revista Spiegel que o governo federal pretende fornecer apoio financeiro para as regiões afetadas o mais rápido possível, acrescentando que um pacote de medidas deve ir ao gabinete para aprovação na quarta-feira.(com agência Reuters)