Cardeal alemão renuncia por 'catástrofe de abusos sexuais'

Reinhard Marx disse que é preciso compartilhar responsabilidade

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O arcebispo de Munique, cardeal Reinhard Marx, apresentou sua renúncia ao papa Francisco, em meio às investigações sobre casos de pedofilia e abusos sexuais por parte do clero alemão.

Marx não é alvo de inquéritos, mas foi presidente da Conferência Episcopal da Alemanha entre 2014 e 2020 e disse em um comunicado que é preciso "compartilhar a responsabilidade pela catástrofe dos abusos sexuais cometidos por membros da Igreja nas últimas décadas".

De acordo com o cardeal, os inquéritos já demonstraram "muitos fracassos pessoais e erros administrativos, mas também fracassos institucionais ou sistêmicos". Além disso, Marx ressaltou que a Igreja Católica está em "ponto morto".

"Quero demonstrar que o cargo não está em primeiro lugar, mas sim o Evangelho", disse o cardeal, acrescentando que está disposto a assumir uma "responsabilidade pessoal".

É aguardada para os próximos meses a conclusão de uma perícia sobre suspeitas de abusos na Arquidiocese de Munique, chefiada por Marx desde 2008.

O prelado é uma das figuras mais proeminentes do clero da Alemanha e também integra o poderoso conselho de cardeais formado pelo papa Francisco para reescrever a Constituição Apostólica sobre a organização da Cúria Romana. Sua renúncia, no entanto, ainda precisa ser aceita por Jorge Bergoglio.

Recentemente, o pontífice ordenou uma inspeção apostólica na Diocese de Colônia, uma das principais da Alemanha, após a divulgação de um dossiê que aponta pelo menos 314 vítimas de abusos sexuais entre 1975 e 2018.

Cerca de metade das vítimas eram menores de 14 anos.(com agência Ansa)