Irã acusa EUA de lucrar com 'comércio de sangue'

Em resposta às acusações dos EUA, o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou Washington de lucrar com um comércio de sangue vendendo armas à Arábia Saudita usadas na guerra no Iêmen

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O porta-voz da chancelaria iraniana, Saeed Khatibzadeh, afirmou a jornalistas que os EUA e seus aliados "têm vindo a colher [o] benefício do comércio de sangue no Iêmen, vendendo armas para a coalizão liderada pelos sauditas".

"Os americanos não podem lançar acusações infundadas aos outros em vez de serem responsáveis pelas atrocidades", sublinhou porta-voz iraniano, citado pela PressTV. Khatibzadeh observou ainda que, mesmo com a coalizão liderada pelos sauditas estando em processo lento de desintegração, os envolvidos "ainda tentam negar a responsabilidade pelas atrocidades e desorientar a opinião pública".

Os comentários de Khatibzadeh surgem um dia depois de o secretário de estado dos EUA, Antony Blinken, ter acusado Irã de perpetuar o conflito, apoiando os houthis, que são formalmente conhecidos como Ansarallah.

"Envolvimento do Irã no Iêmen atiça as chamas do conflito, ameaçando com uma maior escalada, erro de cálculo e instabilidade regional. Ansarallah usa armas iranianas, [meios de] inteligência, treinamento e apoio para conduzir ataques que ameaçam alvos civis e infraestrutura no Iêmen e na Arábia saudita", afirmou Blinken em comunicado.

Washington é um parceiro da Arábia Saudita desde a década de 1940, que não só tem vendido armas avançadas a sauditas e outros membros da coalizão, como os Emirados Árabes Unidos, Egito e Marrocos, mas também tem fornecido amplo apoio logístico para ataques da coalizão incluindo informações de alvos e serviços de reabastecimento aéreo.

Além disso, um pequeno número de tropas dos EUA foi enviado para a região fronteiriça entre Arábia Saudita e Iêmen para realização de patrulhas a fim de destruir localidades de mísseis e artilharia houthis.

Nessa quarta-feira (3), os houthis, movimento militante iemenita, conseguiu proteger grande parte de Marib, o último baluarte no norte do Iêmen.

Segundo o movimento houthi, a coalizão liderada pela Arábia Saudita empregou combatentes do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países) para se defender. (com agência Sputnik Brasil)