EUA querem promover pacto entre Israel e Arábia Saudita se Riad adotar os 'valores norte-americanos'

Em conferência de imprensa, Estados Unidos dizem que tem a intenção de 'recalibrar' sua relação com a Arábia Saudita, mas que valores da América devem estar em primeiro lugar

Foto: AP Photo / Olivier Douliery
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Em conferência de imprensa nessa segunda-feira (1º) divulgada no site da Casa Branca, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, afirmou que Washington quer avançar para uma agenda mais ampla em seu relacionamento com Riad, incluindo a mediação de um acordo de paz entre o reino saudita e Israel, mas que só poderá realizar tais ações se a Arábia Saudita melhorar seu histórico de direitos humanos.

"Buscamos uma parceria que reflita nosso importante trabalho conjunto e nossos interesses e prioridades comuns, mas também uma parceria conduzida com maior transparência, responsabilidade e de acordo com os valores da América. Ao restabelecer as expectativas dos Estados Unidos para nosso relacionamento com a Arábia Saudita, nossa intenção é tornar essa parceria - que já tem cerca de 80 anos - ainda mais sustentável daqui para frente", disse o porta-voz do Departamento de Estado.

Embora o governo de Joe Biden tenha falado sobre sua intenção de conciliar mais países nas relações com Israel, esta é a primeira vez que a Arábia Saudita é mencionada nesse contexto.

"[Queremos] usar nossa liderança para forjar laços em toda a divisão mais amarga da região, seja encontrando o caminho de volta com o Irã para um diálogo regional significativo, ou forjando uma paz histórica com Israel [...]", disse Price na conferência.

Jerusalém não tem relações diplomáticas com a Arábia Saudita, mas manteve laços clandestinos de longa data que se fortaleceram nos últimos anos, quando os dois países enfrentaram uma ameaça comum no Irã, segundo o The Times of Israel.

Fontes do Estado israelense disseram que o ex-secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se reuniram com príncipe saudita Mohammed bin Salman na cidade de Neom, no mar Vermelho, em novembro de 2020. A reunião, negada por Riad, alimentou especulações sobre um acordo de normalização entre Israel e Arábia Saudita, segundo a mídia.

O porta-voz do Departamento de Estado também destacou que existem outras questões entre os EUA e a Arábia Saudita, incluindo a ofensiva militar saudita no Iêmen e um tratamento mais amplo dos direitos humanos por Riad. Esses assuntos teriam forte impacto sobre sua futura relação com o reino saudita.

"Olhando para o futuro, as ações sauditas determinarão o quanto dessa ambiciosa agenda positiva compartilhada podemos alcançar. Estamos trabalhando para colocar o relacionamento no caminho certo [...], ao mesmo tempo em que abordamos as graves preocupações que o presidente e nossa equipe compartilham com o Congresso e muitos norte-americanos", disse Price citado pela publicação da Casa Branca.

Na sexta-feira (26), o governo Biden desclassificou um relatório de inteligência que acusa o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, de ter ordenado o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi na Turquia em 2018, e decidiu não penalizar o príncipe saudita. (com Sputnik Brasil)