Biden assumirá a presidência dos EUA em meio a profundas divisões e pandemia violenta

Foto: Reuters / Tom Brenner
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O democrata Joe Biden tomará posse como 46º presidente dos Estados Unidos nestaa quarta-feira (20), assumindo o comando de um país assolado por profundas divisões políticas e atingido por uma pandemia de coronavírus.

Biden, de 78 anos, se tornará o presidente dos Estados Unidos mais idoso da história em uma cerimônia em Washington que foi em grande parte despojada de sua pompa e circunstância habituais, devido tanto ao coronavírus quanto às preocupações com a segurança após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio dos EUA por partidários do presidente "demitido" Donald Trump.

Com apenas um pequeno número de participantes presentes, o democrata fará o juramento de posse perante o presidente do Supremo Tribunal dos EUA, John Roberts, pouco depois do meio-dia (17h em Brasília), colocando a mão em uma Bíblia, relíquia que está na família Biden há mais de um século.

Sua companheira de chapa, Kamala Harris, filha de imigrantes da Jamaica e da Índia, se tornará a primeira pessoa negra, a primeira mulher e a primeira asiático-americana a servir como vice-presidente depois de prestar juramento diante da juíza da Suprema Corte dos EUA Sonia Sotomayor.

A cerimônia acontecerá em frente a um Capitólio dos EUA fortemente fortificado, onde uma multidão de partidários de Trump invadiu o prédio duas semanas atrás, enfurecidos por suas falsas alegações de que a eleição de novembro foi roubada com milhões de votos fraudulentos. A violência levou a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pelos democratas, a acusar Trump na semana passada, pela segunda vez sem precedentes.

Milhares de soldados da Guarda Nacional foram chamados à cidade após o cerco, que deixou cinco pessoas mortas e obrigou os legisladores a se esconderem por um breve período. Em vez de uma multidão de apoiadores, o National Mall será coberto por quase 200.000 bandeiras e 56 pilares de luz destinados a representar pessoas de estados e territórios dos EUA.

Biden, que prometeu “restaurar a alma da América”, fará um apelo à unidade americana em um momento de crise em seu discurso inaugural, segundo assessores.

Ele vai perder pouco tempo tentando virar a página da era Trump, disseram assessores, assinando uma série de 15 ações executivas em seu primeiro dia de mandato em questões que vão da pandemia à economia e à mudança climática. As ordens incluirão a aplicação de máscaras em propriedades federais, a retomada do acordo climático de Paris e o fim da proibição de viagens de gente vinda de países de maioria muçulmana.

Em um primeiro sinal de seu plano de chegar ao outro lado do corredor político, Biden convidou os principais líderes do Congresso, incluindo o líder republicano da Câmara, Kevin McCarthy, e o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, para se juntar a ele na igreja na manhã desta quarta-feira.

Em uma ruptura com mais de um século e meio de tradição política, Trump planeja deixar a Casa Branca antes da posse, recusando-se a se encontrar com seu sucessor e afirmar a transferência pacífica do poder.

O vice-presidente Mike Pence, os ex-presidentes dos EUA George W. Bush, Barack Obama e Bill Clinton e McCarthy e McConnell devem comparecer à cerimônia de posse de Biden. (com agência Reuters)