Inimigo do Kremlin detido, Navalny correu para o tribunal, Moscou diz a Ocidente para parar

Navalny, em um vídeo de dentro da delegacia, chamou a audiência de "o mais alto grau de ilegalidade" e atacou o presidente Vladimir Putin, acusando-o de jogar o código penal pela janela com medo

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O crítico do Kremlin Alexei Navalny foi levado às pressas para uma audiência dentro de uma delegacia de polícia nesta segunda-feira (18), um dia depois de ser detido no aeroporto de Moscou ao voar para casa pela primeira vez desde que foi envenenado no verão passado.

As Nações Unidas e as nações ocidentais disseram à Rússia para libertar imediatamente o político da oposição e alguns países pediram novas sanções. Moscou disse-lhes que cuidassem de seus próprios negócios.

Navalny, em um vídeo de dentro da delegacia, chamou a audiência de “o mais alto grau de ilegalidade” e atacou o presidente Vladimir Putin, acusando-o de jogar o código penal pela janela com medo.

O Kremlin deveria comentar o caso ainda nesta segunda-feira, mas geralmente encaminha as perguntas sobre o político de 44 anos às agências de segurança pública.

Cerca de 200 mil apoiadores de Navalny se reuniram em frente à delegacia de polícia em temperaturas de 18 graus Celsius negativos e exigiram que ele fosse posto em liberdade, disse uma testemunha à agência Reuters.

A detenção de Navalny foi ordenada pelo serviço penitenciário de Moscou em relação a supostas violações de uma pena suspensa em um caso de peculato que ele diz ter sido forjado.

A audiência, que teve parte transmitida ao vivo pelos aliados de Navalny, pode determinar que ele seja mantido sob custódia até que outro tribunal decida se converterá a pena suspensa de 3,5 anos em prisão real.

Alguns de seus aliados disseram temer que a audiência pule essa etapa provisória e converta sua própria sentença suspensa.

Quatro policiais mascarados detiveram Navalny no controle de passaportes na noite de domingo, a primeira vez que ele voltou para casa depois de ser envenenado com o agente nervoso Novichok - após passar por testes na alemanha, versão que o Kremlin rejeita.