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Presidente em final de mandato nas Maldivas reconhece derrota

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O homem forte das Maldivas, o presidente em final de mandato Abdulla Yameen, reconheceu nesta segunda-feira (24) sua inesperada derrota frente ao candidato da oposição Ibrahim Mohamed Solih.

"Os cidadãos das Maldivas decidiram o que querem. Aceitei os resultados de ontem", declarou Yameen, que presidiu um governo que liderou uma repressão feroz contra qualquer dissidência desde sua chegada ao poder em 2013.

Em um discurso exibido pela televisão, Yameen disse que se reuniu com seu rival e o parabenizou.

"Vou garantir uma transição tranquila", acrescentou o presidente, que deixará o governo em 17 de novembro.

Após cinco anos de um governo com mão de ferro, a oposição e a comunidade internacional temiam que Yameen rejeitasse os resultados das eleições, em caso de derrota.

Contra todas as previsões, seu rival, Ibrahim Mohamed Solih, pouco conhecido entre o eleitorado, obteve no domingo 58,3% dos votos, de acordo com os resultados preliminares da Comissão Eleitoral das Maldivas.

Os partidários de sua sigla, o Partido Democrático das Maldivas (PDM), festejaram durante a noite a notícia da vitória por todo arquipélago do Oceano Índico, com as bandeiras amarelas do partido e dançando pelas ruas.

A taxa de participação entre os 262.000 eleitores desse país com mais de 340.000 habitantes, foi de 89,2% na terceira eleição presidencial da história das Maldivas.

O resultado oficial final será anunciado durante a semana, o tempo estimado para a Comissão Eleitoral realizar o processo de verificação.

"É difícil adivinhar o que Yameen vai fazer", declarou à AFP o reitor da Jindal School of International Affairs, Seeram Chaulia.

"Mas qualquer tentativa de sua parte de modificar os resultados a seu favor e privar a oposição de sua vitória prejudicaria seriamente a pouca credibilidade e legitimidade que sobraram", concluiu.

A Índia, potência regional que desaprovava a aproximação da China sob a presidência de Yameen, parabenizou o candidato da oposição.

E os Estados Unidos, que criticavam, assim como a União Europeia, Yameen por sua repressão, pediram "calma e respeito pela vontade do povo".

Apesar de as Maldivas evocarem luas de mel e praias paradisíacas no imaginário das pessoas, a situação política deste pequeno país do oceano Índico é bem menos radiante.

Antes da votação, a oposição e os observadores internacionais expressaram sua preocupação, denunciando a tentativa do chefe de Estado das Maldivas de "roubar" as eleições.

A maioria dos jornalistas estrangeiros não obteve visto para cobrir as eleições.

No início do ano, Yameen impôs 45 dias de estado de emergência, descontente com uma decisão do Supremo Tribunal que anulou as condenações de opositores.

Depois de uma série de detenções, incluindo a de dois juízes do Supremo Tribunal e do ex-autocrata do arquipélago Maumoon Abdul Gayoom (1978-2008), o tribunal finalmente voltou atrás em sua decisão.

Após a chegada ao poder, em circunstâncias polêmicas, os observadores acreditavam que este burocrata sem carisma de 59 anos seria apenas um fantoche de seu meio-irmão Maumoon Abdul Gayoom. Desde 2013, porém, Yameen se impôs como o mestre absoluto.

Alguns dos líderes da oposição tiveram de se exilar, como o ex-presidente Nasheed, que vive entre o Reino Unido e o Sri Lanka.

 

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