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Anistia denuncia Pequim por repressão em massa de muçulmanos

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A Anistia Internacional (AI) convocou a China, nesta segunda-feira (24), a informar sobre a "repressão em massa", da qual podem ser vítimas até um milhão de membros de minorias muçulmanas na região de Xinjiang.

Pequim aumentou as medidas restritivas contra minorias muçulmanas para - segundo o governo - combater o extremismo islamista e os elementos separatistas dessa província no noroeste do país.

Os defensores dos direitos humanos acusam Pequim de ter aberto "centros de reeducação" para as pessoas suspeitas de terem intenções hostis. Em sua maioria, seriam uigures, ou cazaques, as principais etnias muçulmanas de Xinjiang.

Em seu novo informe, que inclui testemunhos de pessoas internadas em campos, a Anistia Internacional acusa Pequim de realizar "uma campanha governamental de internamentos em massa, de vigilância intrusiva, de doutrinamento político e de assimilação cultural forçada".

Os uigures e outras minorias muçulmanas são castigados por infringirem as leis que proíbem o uso de barba e de burcas, assim como a posse de corões não autorizados, completou a ONG.

Em um comitê de direitos humanos da ONU em Genebra, a China foi acusada em agosto de prender, ou ter detido, um milhão de pessoas nesses centros. Muitos teriam sido internados por cometerem delitos como entrar em contato com familiares residentes no exterior, ou de terem trocado saudações por ocasião de festas muçulmanas nas redes sociais.

A AFP não conseguiu confirmar esse número.

"Centenas de milhares de famílias foram arrasadas por essa repressão em massa", declarou o diretor da AI para o leste da Ásia, Nicholas Baquelin, em um comunicado.

"Buscam desesperadamente saber o que aconteceu com seus familiares, e chegou a hora de as autoridades chinesas responderem", acrescentou.

Pequim nega essas acusações, mas as provas da existência desses campos vão aparecendo na forma de documentos oficiais e de testemunhos de pessoas que teriam conseguido escapar.

Aparentemente, Pequim ordena a internação de amplos grupos em uma rede de campos extrajudiciais, visando ao doutrinamento político e cultural em uma escala jamais vista desde a era maoísta.

A Anistia disse ter entrevistado vários ex-detentos que relataram o uso de correntes nos pés, torturas, além de serem forçados a entoar cânticos políticos e a aprender a história do Partido Comunista.

Nos últimos meses, jornalistas estrangeiros e outras organizações de defesa dos direitos humanos teriam coletado depoimentos similares.

A ONG também pediu ao mundo que pressione Pequim a prestar contas pelo "pesadelo" de Xinjiang.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, denunciou "campos de reeducação", nos quais - segundo ele - os uigures são submetidos a um "doutrinamento político estrito e a outros abusos horríveis".

 

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