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Venezuela pede que Chile, Colômbia e México expliquem vínculo com ato contra Maduro

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A Venezuela pediu, no domingo (23), que Chile, Colômbia e México esclareçam se funcionários de suas embaixadas apoiaram a tentativa de fuga de um dos suspeitos do ataque com drones em agosto contra o presidente Nicolás Maduro.

"Não existe imunidade diplomática no caso de encobrimento de terroristas", alertou o ministro da Comunicação e da Informação, Jorge Rodríguez, sem identificar os diplomatas em questão.

Em coletiva de imprensa, o ministro afirmou que o presidente ordenou o chanceler Jorge Arreaza a interrogar diretamente os funcionários para esclarecer a situação.

De acordo com Rodríguez, na madrugada de sábado foram capturados Henryberth Vivas Rivas, conhecido como "Morfeo", e outras duas pessoas pela explosão de dois drones em 4 de agosto perto do palanque em que Maduro presidia uma parada militar.

Em confissões em vídeo transmitidas pelo ministro, Rivas relatou que diplomatas estavam envolvidos em seus frustrados planos de fugir da Venezuela.

O homem disse ter sido instruído a entrar em contato com um funcionário da embaixada chilena, que iria ajudá-lo a ir para a Colômbia com a mediação do pessoal diplomático do México e da Colômbia.

"A embaixada chilena deve explicar por que um assassino, um terrorista (...), recebeu instrução (...) para se dirigir à embaixada", expressou Rodríguez.

Nesta embaixada, está refugiado o parlamentar opositor Freddy Guevara, após ser acusado de incitar a violência durante os protestos contra Maduro. As manifestações terminaram em cerca de 125 mortos em 2017.

As Chancelarias dos três países negaram qualquer participação.

O Chile convocou o embaixador da Venezuela nesta segunda e rejeitou de forma "enérgica" as "gravíssimas e caluniosas insinuações e ameaças do governo de Nicolás Maduro", de acordo com um comunicado.

Já a Colômbia disse que as acusações "carecem de fundamento" e expressou "preocupação com as repercussões" que possam ter sobre a segurança de seus diplomatas. O México também repudiou categoricamente a denúncia.

Com Rivas foram presos Ángela Expósito, uma hispano-venezuelana, que o teria escondido em sua residência, e o coronel reformado Ramón Velasco.

Até agora, 28 pessoas estão detidas pelo caso, completou Rodríguez, que pediu aos Estados Unidos e à Colômbia que aprovem a extradição de quem o governo venezuelano aponta como os autores intelectuais do plano.

Entre eles, está o ex-presidente do Parlamento Julio Borges, exilado em Bogotá, que denuncia o suposto atentado como uma "farsa".

"Cumpram as leis e os tratados internacionais em matéria de terrorismo", exigiu Rodríguez, chamando de "sandices" os questionamentos da veracidade do ataque.

Rodríguez também reiterou as acusações contra o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos, que estaria, segundo Maduro, por trás do episódio.

"O senhor presidente da Colômbia, Iván Duque, tem que se desvincular dos atos planejados no governo de Juan Manuel Santos. Ou será que está de acordo com a tentativa de assassinato?", questionou.

Um funcionário da imigração na Colômbia, que o governo venezuelano identificou como Mauricio Jiménez, é acusado de ter permitido a entrada no país dos supostos responsáveis pelo ataque para receber treinamento na localidade colombiana de Chinácota.

 

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