Jornal do Brasil

Internacional

Em busca de saídas

Conferência no Rio discute soluções para dilemas globais da atualidade

Jornal do Brasil JOHANNS ELLER*, johanns.eller@jb.com.br

Mais de 20 autoridades diplomáticas, militares e acadêmicas palestraram ontem em hotel no Leblon sobre os principais desafios da geopolítica mundial. A 15ª Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, organizada pela Konrad Adenauer em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Delegação da União Europeia no Brasil, trouxe diferentes olhares sobre as mudanças climáticas, a segurança global e a crise de refugiados. A tensão vivida na Venezuela foi debatida ao longo da convenção, que recebeu mais de 350 diplomatas e especialistas de diversas áreas.

Macaque in the trees
Painel realizado durante conferência no Rio de Janeiro, que reuniu diplomatas e acadêmicos para discutir temas como refugiados e defesa (Foto: José Peres)

A conferência contou com a presença do ministro da Defesa do Brasil, Joaquim Silva e Luna, que discursou junto do General de Brigada do Exército da Alemanha René Leitgen. O embaixador da União Europeia no Brasil, o diplomata português João Gomes Cravinho, o embaixador da Alemanha no país, Georg Wotschel, e a ex-ministra brasileira do Meio Ambiente Isabella Teixeira fizeram parte da lista de palestrantes.

O ciclo de debates foi encerrado por um painel sobre os fluxos de refugiados no mundo, que acabou dominado pela crise na Venezuela. Para a professora venezuelana Millagros Betancourt, da Universidade Católica Andrés Bello, a reação da comunidade internacional diante da crise foi tardia. “A América Latina não tem como absorver o fluxo de imigrantes”, disse a acadêmica, que lamentou o rápido agravamento da turbulência política e social de seu país. “Todas as pessoas querem sair. Vivem uma desesperança absoluta”, complementou.

Na mesma mesa de discussão, o diretor nacional de Análise Estratégica da Argentina, Christian Bonfili, responsabilizou Caracas pelo problema. “A crise da Venezuela tem origem no modelo de governo do país”, afirmou, atribuindo ao regime de Nicolás Maduro o aumento no número de presos políticos, que hoje chega a 13 mil, e o disparo da taxa da pobreza extrema, que cresceu 61% desde 2014 – todos fatores que teriam motivado a diáspora. “O impacto da crise venezuelana impõe um desafio enorme para a América do Sul”, ponderou.

Para a professora da Universidade de Rosario Francesca Pismataro, convidada da Colômbia, país que recebeu 40% do êxodo venezuelano, o drama é atenuado pela ausência da barreiras linguísticas entre os imigrantes e os países que os recebem, com exceção do Brasil. “Isso é um fator positivo na integração social. Outro elemento que ajuda é a empatia. A Venezuela recebeu no passado muitos latino-americanos que viviam crises econômicas e ditaduras em seus países”, lembrou Pismataro, ressaltando, por outro lado, as dificuldades no processamento dos refugiados venezuelanos sem documentação. “Imigrantes sem documentos são presas fáceis da exploração sexual e do tráfico de pessoas”, criticou.

Para o diplomata marroquino e ex-presidente do Conselho de Segurança da ONU Mohamed Loulichki, embora o fenômeno não seja novo, ainda parece longe de uma solução: “A imigração é um desafio global. Não é a primeira nem a última crise. É melhor que estejamos preparados. Antes da crise na Venezuela e na Europa, tivemos outras”.



Recomendadas para você