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Mulher que acusa indicado por Trump à Suprema Corte está disposta a falar

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Christine Blasey Ford, a mulher que acusa de agressão sexual o indicado por Donald Trump para a Suprema Corte dos Estados Unidos, está disposta a testemunhar na semana que vem ante o Senado, informou nesta quinta-feira (20) a imprensa americana.

A acadêmica especialista em Psicologia, de 51 anos, afirma que o juiz Brett Kavanaugh, de 53, a agrediu sexualmente em uma festa no início da década de 1980, algo que o candidato de Trump à Suprema Corte dos Estados Unidos nega.

Até a denúncia, Kavanaugh, um juiz de tendência conservadora, parecia encaminhado a ser confirmado para esse cargo vitalício.

Os advogados de Blasey Ford disseram à Comissão Judicial do Senado que ela não poderá comparecer na segunda-feira, mas está disposta a testemunhar mais tarde na mesma semana, sob a condição de que a audiência seja "justa" e que a sua segurança seja garantida, segundo um e-mail citado pelo Washington Post e pelo New York Times.

A data de segunda-feira "não é possível e a insistência da Comissão de que seja assim é arbitrária em qualquer caso", disseram os advogados da mulher.

"Como vocês sabem, ela recebeu ameaças de morte, que têm sido denunciadas ao FBI, e tanto ela como sua família tiveram que deixar suas casas", acrescentaram seus representantes.

"Ela deseja testemunhar, com a condição de que possamos acordar circunstâncias que sejam justas e que garantam sua segurança", indicaram.

Além disso, os advogados assinalaram que sua cliente prefere que haja uma investigação antes do seu depoimento.

Blasey Ford disse que o incidente ocorreu por volta de 1982 em uma festa com estudantes de escolas de elite no subúrbio rico de Bethesda, Maryland, nos arredores de Washington DC.

Afirma que Kavanaugh, bêbado, imobilizou-a em uma cama enquanto tentava despi-la, enquanto outro jovem observava, mas ela conseguiu fugir.

Blasey Ford não apresentou acusações criminais, mas se o fizesse, o caso seria investigado em Maryland, onde os crimes graves de agressão sexual não prescrevem.

A mulher, que havia permanecido em silêncio durante décadas, enviou em julho uma carta a um representante local quando o nome de Kavanaugh começou a circular como um possível candidato à Suprema Corte.

Depois de vazamentos da mídia, saiu do anonimato em uma entrevista ao Washington Post.

A chegada de Kavanaugh à Suprema Corte colocaria os juízes progressistas ou moderados em minoria por muitos anos no tribunal, uma jurisdição que resolve questões-chave da sociedade americana, como o direito ao aborto, a portar armas de fogo e os direitos as minorias.

 

Em 1991, outro candidato à Suprema Corte, Clarence Thomas, foi acusado de assédio sexual por Anita Hill, um professora de direito.

Apesar da denúncia, o juiz Thomas foi confirmado e ainda é membro da Suprema Corte, mas o tratamento dado à Hill durante as audiências deixou marcas e incentivou muitas mulheres a entrar para a política.

Quase três décadas depois, o clima mudou e inclusive Trump, rápido em criticar os que se colocam em seu caminho, evitou atacar Blasey diretamente.

O presidente se limitou a defender Kavanaugh, que qualificou de "homem extraordinário", e se mostrou cético sobre as acusações: "É muito difícil para mim imaginar que tenha acontecido".

A opinião pública está cada vez mais contra o juiz e segundo pesquisa NBC/The Wall Street Journal publicada na noite desta quinta-feira, 38% rejeitam a presença de Kavanaugh no Supremo, contra 34% que o aprovam.

 



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