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Erva nas ondas do mar

Após passagem do furacão Florence, pacotes de maconha aparecem nas praias da Flórida

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Graças a passagem do furacão Florence pela costa leste dos Estados Unidos, a polícia da Flórida vem tendo trabalho dobrado. Diversos pacotes contendo tijolos de cinco quilos de maconha estão aparecendo em praias do estado, onde a substância ainda é ilegal. As autoridades se esforçam para apreender o material encontrado, enquanto muitos banhistas tentam roubar a erva arrastada para a areia.

A droga provavelmente estava sendo transportada em um barco que virou devido à tempestade provocado pelo Florence. E chegou até às praias levada pelas fortes ondas registradas na região nos últimos dias. Outra hipótese é de que a maconha estaria em um avião que poderia ter caído ou derrubado a droga.

Macaque in the trees
Banhistas que encontram os pacotes flutuando no mar brigaram para ficar com a maconha. Polícia chegou a prender um homem (Foto: Divulgação/Flager County Sheriff)

No condado de Flagler, cerca de 45 quilos da substância foram recuperadas nos últimos três dias. A maconha também foi encontrada nos condados de Volusia e St. Johns (onde foram recuperados oito pacotes), na área de Daytona Beach. A chegada da erva provocou um dilema entre os moradores. Alguns se apressaram em abrir os pacotes e levar a maconha. Outros, no entanto, chamaram a polícia.

Em Volusia, uma mulher ligou para o serviço de emergência relatando ter encontrado a droga. “Um grande pacote de droga ou alguma outra coisa apareceu na praia e tem pessoas brigando entre si para ficar com ele”, disse ela. A moradora contou ainda que seu pai estava no meio da confusão, que envolvia entre sete e oito pessoas, tentando ficar com o material para entregá-lo para a polícia. As autoridades alertaram que quem pegasse a maconha seria preso.

Um homem identificado como Robert Kelley foi preso e acusado de posse de maconha acima de 20 gramas. O uso medicinal da canabbis é legal na Flórida, mas seu uso recreativo é proibido. Uma mulher em um biquíni amarelo, fotografada abrindo um pacote e saindo com o produto, é considerada foragida pela polícia. Outros banhistas também abriram fugiram carregando a maconha.

Os pacotes não tinham nenhuma identificação e provavelmente são do mesmo carregamento.

Verão da lata marcou ano de 1987

 

O verão de 1987 foi diferente dos demais no litoral do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul: ao longo de vários meses, milhares de latas contendo 1,5 kg de maconha foram encontradas em praias brasileiras. Era comum banhistas entrarem no mar de Ipanema para pegá-las.

Muitos consumidores da erva creditaram o fenômeno a Iemanjá ou Netuno, mas a verdade é que em setembro, o navio Solana Star, de bandeira panamenha, que vinha da Austrália, passava pelo litoral fluminense com um carregamento de 15 mil latas de maconha, trazido a bordo em parada em Cingapura. Ao todo, havia 22 toneladas do produto, que seria desgarregado no Brasil para dois barcos menores, que tinham como destino final Miami.

A Polícia Federal recebeu uma denúncia da agência americana de combate às drogas sobre a viagem A tripulação descobriu, e o carregamento, que estava no porão da embarcação, foi jogado no oceano, provavelmente na altura de Cabo Frio. A tripulação seguiu para a costa, atracando na Praça Mauá, e deixou o país rapidamente. Apenas o cozinheiro do barco, Stephen G. Skelton, ficou no Brasil. Ele foi condenado a 20 anos de prisão, mas acabou sendo deportado para os Estados Unidos em pouco tempo.

Com ajuda da maré, as latas acabaram aparecendo em lugares como Rio de Janeiro, Maricá e Guarujá.

Segundo pessoas que viveram a época, a polícia repreendeu violentamente quem foi pego com as latas. O ano era 1987 e o país acabava de sair de uma ditadura militar. O consumo recreativo da maconha era muito mais reprimido do que atualmente. O episódio, batizado de “Verão da Lata”, marcou uma geração e é lembrado até hoje. A história inspirou músicas, livros e até virou um documentário.

Segundo a polícia, das 15 mil latas, cerca de 3 mil foram apreendidas pelas autoridades. O restante ou afundou ou foi recolhida por banhistas. 



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