Governo peruano pede voto de confiança ao Congresso e exige apoio a reformas

O governo peruano pediu nesta quarta-feira (19) um voto de confiança ao Congresso dominado pela oposição fujimorista, e pediu que aprove rapidamente as suas propostas de reformas constitucionais destinadas a combater a corrupção.

O primeiro-ministro, César Villanueva, acompanhado pelos 17 ministros do gabinete, participou de uma sessão plenária no Congresso, na qual formalmente solicitou o voto de confiança "e a aprovação dos quatro projetos de reforma".

Uma das iniciativas foi aprovada na terça-feira.

"O país (...) precisa que aprovem essas reformas para recuperar a confiança da população" no sistema político, disse Villanueva, três dias depois de o presidente peruano, Martín Vizcarra, ameaçar dissolver o Congresso se este freasse as mudanças constitucionais.

Após a advertência, o Congresso, dominado pelo partido de Keiko Fujimori, decidiu na terça-feira reverter a sua postura inicial e apoiar as reformas, o que prevê que responderá positivamente ao governo.

"A corrupção se tornou um dos grandes problemas do país, afetando-o em todos os níveis", acrescentou Villanueva, que pediu ao Parlamento para aprovar com rapidez as reformas lançadas por Vizcarra em resposta a um escândalo de corrupção no Poder Judiciário.

O presidente, que não compareceu a essa sessão parlamentar porque constitucionalmente isso corresponde ao primeiro-ministro, disse à imprensa que o governo "tem toda a confiança em receber o aval" do Congresso.

Vizcarra pediu que autorizem as quatro reformas constitucionais apresentadas no Congresso. "Pedimos que sejam aprovadas não apenas pelo Congresso, mas via referendo por toda a população do Peru este ano", declarou.

O presidente, que assumiu o poder há seis meses, liderou uma reunião de gabinete ao amanhecer, e acompanhou até a porta do palácio de governo Villanueva e os 17 ministros, que caminharam as quatro quadras até o Congresso.

O presidente do Congresso, o fujimorista Daniel Salaverry, disse na terça-feira que o Parlamento estava disposto a aprovar as reformas constitucionais antes de 4 de outubro, o que permitiria que fossem ratificadas em um referendo em dezembro, como Vizcarra quer.

Na mesma terça, o Congresso aprovou uma das quatro reformas propostas em 28 de julho por Vizcarra - a do sistema de designação e controle de juízes -, mas ficam pendentes outras três nitidamente políticas.

As reformas pendentes são as de proibição da reeleição de legisladores, a restituição da bicameralidade do Congresso e a regulação do financiamento dos partidos políticos.