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Para Itamaraty, ação é coerente

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Israel afirmou que a “interferência” de brasil, uruguai e argentina ao reconhecerem o estado palestino é “altamente prejudicial” por países que nunca fizeram parte do processo de paz no oriente médio.

– eles nunca contribuíram para o processo (...) e agora estão tomando uma decisão que vai completamente contra tudo o que foi acordado até agora – argumentou o porta-voz do ministério das relações exteriores de israel, yigal palmor, dizendo que seu país vai transmitir sua decepção aos governos em questão e avisou que “qualquer país que siga seu exemplo” corre o risco de causar mais confusão em torno do processo de paz.

Em comunicado, o itamaraty diz que sua iniciativa é “coerente” com a disposição histórica do brasil de contribuir para o processo de paz entre israel e palestina. o texto argumenta que a ação está de acordo com a resolução 242 da onu, que determina a retirada de israel dos territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados.

“o brasil reafirma sua tradicional posição de favorecer um estado palestino democrático, geograficamente coeso e economicamente viável, que viva em paz com o estado de israel”, diz o documento. “apenas uma palestina democrática, livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios israelenses por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional”.

Para o professor do departamento de política da puc-sp reginaldo nasser, o brasil reconheceu o “óbvio”, porque os territórios só deveriam ser anexados temporariamente a israel. de acordo com nasser, a iniciativa é simbólica.

– para os palestinos, o que vale é o princípio da legitimidade. quanto mais estados se pronunciarem, mais legítima a causa se torna – explica.

Isolamento nasser afirma ainda que israel pode se isolar por causa da ocupação. isso porque, em 1967, a justificativa dada para a anexação do território era a defesa contra o egito, a síria e a jordânia: – aquilo se tornou uma ocupação militar, o que é repudiado desde a idade moderna.

Já o cientista político da ufrj renato lessa reprova a atitude brasileira. para ele, esse posicionamento não ajuda a criar um clima favorável entre palestina e israel. lessa afirma que a decisão veio de uma parte do governo que vê o israel como imperialista e conservador.

– é uma posição equivocada, vem de uma visão ideológica, que tende a ver o conflito do oriente médio como entre o mal e o bem – explica.

Lessa aponta ainda erros no documento em que o brasil reconhece o estado palestino. para ele, o itamaraty não diz nada a respeito do fato de hamas não reconhecer o estado de israel, além de se calar sobre as violações dos direitos humanos no irã.

O grupo islâmico hamas, que venceu uma eleição em 2006, tomou o controle da faixa de gaza em 2007 e rejeita a coexistência permanente com o estado judaico.

Para lessa, o correto seria o brasil colocar-se à disposição do processo de paz: – essa é uma posição de fim de mandato. minha expectativa que o próximo governo não se posicione dessa forma.