De Pernambuco para o mundo (da moda): conheça Caio Braz, novo repórter do 'GNT Fashion'

Se você é carioca e badalado, já conhece o rapazinho. Se não é, aproveite a chance!

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De Pernambuco para o Brasil, passando alguns meses viajando o mundo com uma sunga vermelha para uma campanha de um chiclete, para blogs de moda, festas no Arpoador, e peripécias em cima de saltos 20 cm. Se você é carioca e antenado, provavelmente já ouviu falar de Caio Braz (ou Tarsila Marinho, personagem divertidíssimo criado pelo mesmo). O pernambucano radicado no Rio há três anos estreou ontem como repórter e apresentador do 'GNT Fashion', programa comandado por Lilian Pacce.

Mas não, isso não quer dizer que vamos perder um de nossos cariocas moderninhos preferidos para a capital paulista (sede do programa). Caio contou para a gente que, se é para o querer oficial da nação carioca, ele fará um esforcinho aqui, outro ali, uma ponte aerea acolá e ficará com residência fixa na Cidade Maravilhosa, pois 'a vista do Santos Dumont vale mais do que SP inteira pode proporcionar'.

Ele conversou com a coluna sobre morar no Rio de Janeiro, a oportunidade de ter uma vida em Sampa, sobre moda, sobre ser pernambucano, e, claro sobre sua persona, recheada de alter egos. 

Morar em São Paulo. Isso já havia passado pela cabeça antes? 

'Não vai rolar. O Rio foi o primeiro lugar no Brasil que eu me senti muito à vontade. Óbvio que eu amo minha terra (Recife), vou lá praticamente todos os meses, tenho amigos, família, e orgulho de ser pernambucano, mas os cariocas vivem mais a cidade do que qualquer outro "povo" no Brasil. Essa coisa de andar pelas ruas, usar transporte público, ter as paisagens, a praia, isso cria uma rotina muito saudável. Tem calçada para se andar aqui no Rio (tudo bem que agora tem bueiros explosivos, mas vamos com fé né - risos), um montão de praças, largos, sombras de árvores. Amo a qualidade de vida que se tem aqui, e acho que SP não conseguiria me proporcionar isso. Fico na ponte aérea, mas paciência, a vista do Santos Dumont é sempre linda. Pode ser que eu vá algum dia para lá, mas ainda não me vejo morando ali perto da Paulista'. 

Qual a principal diferença entre as cidades quando o assunto é moda? O Rio perde em algum ponto? Se destaca em outro?

'Hoje em dia, acho essa diferença muito menor por causa da internet. As referências estão a um clique de distância e  com o e-commerce então, nem se fala. Mas, São Paulo é muito mais urbana, os jovens se expressam mais através da moda, são mais ousados, principalmente os homens. As patricinhas paulistanas são mais ostensivas que as cariocas, acho legal isso daqui. Andar em Ipanema é como ver um catálogo de uma típica marca daqui (ex: Farm, Osklen). Pode ser um pouco repetitivo, mas o que eu acho muito positivo daqui é o fato de as marcas terem uma identidade carioca, inserirem o lifestyle da cidade (que é o que há de melhor) nas roupas, enquanto marcas de São Paulo geralmente têm identidades mais genéricas. De longe você pode reconhecer uma marca carioca. Uma marca de São Paulo ou de Porto Alegre pode ser de qualquer outro lugar. É bom para o Rio'.

Você acha que o fato de ter vindo de uma cidade menor, ajuda na sua visão panorama da moda? Ou rola um certo preconceito ainda? 

'Acho que há sim uma visão diferente, mas não necessariamente no que diz respeito à moda, mas em comportamento (principalmente jovem), de uma maneira geral. Pernambucano tem um humor peculiar, sabe rir de si mesmo, todo mundo é muito carinhoso e também crítico. É um intermediário entre o ser "coxinha" de São Paulo, e o ser "malandro" do Rio. Orgulho total de ser de lá, de saber até cantar o hino do estado. Somos bairristas, mas não chegamos a um nível gaucho. É uma equação boa'.

E aqui, preconceito zero, carioca sabe acolher bem. O fato de eu não parecer muito com o Tiririca talvez ajude, já que algumas pessoas acham que todo mundo tem cabeça chata por lá. Tô aqui há três anos e meio e não vou perder o sotaque. Uma vez uma carioca no Fashion Rio me abordou: "Eu sei quem você é, você é aquele menino lá do Norte." Quase que eu falei: "Valeu, ném." Acontece, né!'

Caio Braz tem várias facetas e Tarsila Marinho foi uma delas. Essa característica de se dissolver em personagens é uma forma de expressar a moda - mesmo que de uma maneira irônica. Existem planos para novos personagens? 

'Olha, até aceito sugestões. Daqui a pouco deve surgir alguma coisa. Já pensei em fazer o Galliano depois da demissão, pedindo esmola no Saara, mas nem rolou. Vamos ver, vou aproveitar a oportunidade no 'GNT Fashion' para aprender mais sobre o jornalismo em si, a Lilian é uma figura de referência boa, tem anos de experiência. Nos tempos da internet todo mundo sobe e desce muito rápido, e como muitos trabalhos que eu tenho feito (e essa geração, na verdade) são autodidatas – a gente tem a câmera, faz o roteiro, edita, põe no ar, e promove – é incrível participar de uma mega equipe com pessoas com expertises diferentes. É outro nível. Todo mundo acha que para bombar a carreira tem de ser criativo. Óbvio que sim. Mas tem mesmo é de ser profissional, e conseguir realizar as coisas – ideias soltas não valem um centavo, porque não se materializam. E para conseguir transformar em realidade, só suando mesmo'.

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