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Parece que foi ontem, mas faz quase 10 anos que você ouviu Complicated pela primeira vez no rádio do carro. Desde então, já se passaram namoros, formaturas, empregos e a mocinha que antes usava gravata e calça larga andando de skate, hoje prefere subir ao palco com cabelos platinados, saia de tule e coturnos - porque ninguém é de ferro. As músicas de Avril Lavigne podem ter feito parte da sua adolescência, mas no show de ontem, no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, grande parte do público que estava em polvorosa ouviu os primeiros singles da cantora canadense como canção de ninar.
Mal entramos na casa de show e já encontramos dezenas de meninas devidamente vestidas com meias arrastão/de renda/rasgadas pretas combinando com tênis All Star e camiseta com o rosto de Avril. A produção das amigas Laura Souza, Karla Barbosa e Erika Carvalho, todas com 12 anos, ainda incluía uma faixinha pink no cabelo, onde se lia: “Avril Lavigne: eu fui no show!”. “Gostamos da Avril desde sempre, desde que tínhamos uns 9 anos”, lembrou Karla, cuja paixão pela cantora foi despertada depois de ouvir Girlfriend, single do álbum The Best damn thing, que marcou a nova fase na carreira da canadense – a estreia dos cabelos platinadíssimos, aliás. Já a apresentação dos sucessos “antigos”, ficou sob a responsabilidade da prima de Laura. “Curtimos o balanço das músicas, as letras e fomos pesquisar mais sobre ela. A minha prima que nos mostrou Complicated e Sk8er boy. Mas a gente prefere a fase atual dela”, explicou.
Não muito longe dali, caía sobre os ombros de Letícia Bittencourt, de 15 anos, a responsabilidade de ter viciado a família inteira na discografia de Avril, inclusive a irmã mais nova, Gabriela, de 12 anos. “Eu gosto da Avril, mas não posso negar que fui muito influenciada pela minha irmã, quando eu tinha uns 8 anos”, disse a pequena. Letícia é do grupo que faz cara feia quando dizem que as mudanças no estilo musical e no guarda-roupa de Avril são fruto da influencia da mídia. “Com o tempo, todo mundo muda. O mais legal é que ela não é uma garota comum, não muda o comportamento de acordo com o que falam sobre ela e não virou um produto da mídia”, enumerou.
Foi justamente o comportamento (e a voz, claro) de Avril que chamaram a atenção de Janaína Santos, de 31 anos, que estava a postos para cantar todas as músicas do setlist ao lado das sobrinhas Laís Lattari e Patricia Bastos, de 13, e Manoela Bastos, com 11 anos. “O estilo pessoal e musical dela me impressionaram. Depois, fui descobrir que meu sobrinho de 17 anos também estava adorando!”, disse ela, que prefere os primeiros álbuns da cantora, rindo do encontro de gerações. “Faz mais ou menos 5 anos que escutamos When you’re gone e nos apaixonamos. É difícil escolher uma melhor fase dela, mas sabemos que nunca vamos deixar de gostar”, disseram as três primas, quase em coro. Simone Bastos, mãe de Patricia e Manoela, foi acompanhando a “excursão familiar”, já que seria quase impossível se manter alheia à Avril Lavigne com tantas fãs por perto, e acredita que ainda vai voltar muitas vezes aos shows da lourinha. “Facilmente ela vai emplacar mais uma geração. Você tem dúvida depois de ver a fila lá de fora?”, questionou, impressionada com a aglomeração dos 8 mil fãs perto da entrada.
Tivemos certeza que tamanho não é documento quando esbarramos com Marina Valente e Eduarda Boechat que tem quase tanto em idade quanto Avril tem de carreira, 11 e 10 anos, respectivamente. Quando souberam que a moça aportaria no Rio de Janeiro, nem pensaram duas vezes em propor aos pais que saíssem de Juiz de Fora para encontrar a cantora por aqui. “Meu pai concordou na hora, o mais trabalhoso foi convencer o pai da Marina”, nos contou a fofa Eduarda, sob o olhar atento do pai companheiro de viagem, Ricardo Leite. “É o primeiro show ao qual ela vem assistir e, como sabia que ela gosta muito da Avril, topei na hora. Acho que é uma experiência importante para elas”, ressaltou Ricardo. Apesar de terem conhecido o trabalho da cantora quando tinham menos idade do que têm atualmente, as amigas sabem to-dos os detalhes da carreira dela. “Conhecemos todas as músicas, até as mais antigas, mas preferimos ela atualmente”, disse Marina. “Parece que ela foi evoluindo e, agora, consegue deixar as músicas calmas e com um pouco de rock ao mesmo tempo. É como se ela tivesse se ‘acostumado’ com o mundo da música”, completou, com pose de gente grande, depois de ter vindo a viagem inteira ouvindo os CDs de Avril com o pai Anderson Guerra.
As luzes se apagaram, as duas cantaram cada música sem titubear a letra, com as estrelinhas iluminadas em punho, e seguiram de volta para o hotel, onde arrumariam as malas e seguiriam o caminho de casa. “Nós ainda temos aula no colégio amanhã à tarde!” E você diria o mesmo há 10 anos, não?