Kevin Smith se supera ao lançar obra-prima 'Red state' 

Três jovens que procuram sexo pela internet vão parar nas mãos de devotos fervorosos

Kevin Smith começou cedo e com o pé direito. Seu filme de estreia foi nada menos que o espetacular O balconista, de 1994, uma pequena obra-prima do cinema independente. Desde então, os espectadores ficam aguardando, a cada lançamento anunciado, outra pérola – que nunca vem com o mesmo brilho da primeira, apesar de ter lá seu valor. No entanto, finalmente, Kevin Smith se superou! E num gênero no qual não havia ainda experimentado.

Do começo ao fim, Red State é um petardo. Roteiro fechado, bem costurado, com reviravoltas impressionantes e um clima de tensão crescente capaz de deixar muita gente sem fôlego. A história gira em torno do fundamentalismo religioso e da intolerância à diferença, condensadas na figura de um pastor que pretende banir, a qualquer custo, o homossexualismo da face da Terra. Três jovens que procuram sexo pela internet acabam indo parar nas mãos de devotos fervorosos. Começa, então, um calvário com consequências incomensuráveis.

Por mais que Kevin Smith não poupe o espectador de sequências repletas de violência, muito bem montadas e editadas, o olhar apurado sobre a sociedade estadunidense e os valores obtusos da classe-média são retratados com a mesma inteligência e perspicácia de sempre. As boas sacadas surgem em diálogos inesperados e bastante inventivos. A última frase, dita pelo próprio diretor, é simplesmente genial.

A direção de atores – completamente diferente da comédia, que requer outro timing – é perfeita. Todo o elenco rende em atuações bastante convincentes. Destaque para John Goodman (bem mais magro), cujo personagem só entra na metade final da projeção e ainda assim é capaz de roubar a cena e preencher a tela com maestria.

É muito gratificante poder apreciar nos cinemas outra obra-prima de Kevin Smith. Melhor ainda, num gênero diferente do que o alçou como grande realizador.

Cotação: **** (Excelente)