O crescimento do MMA (Artes Marciais Mistas, em inglês) no Brasil deve-se boa parte por conta das recentes exibições de Anderson Silva. Campeão da categoria dos médios do UFC (Ultimate Fighting Championship), o "Spider", como é conhecido, teve uma amostra da popularidade nesta terça-feira, em entrevista para o Programa do Jô, na Rede Globo. Convidado para sentar no sofá ao lado do apresentador, o lutador foi bajulado por outros personagens do programa e, principalmente, pelo público no estúdio.
O próprio Jô Soares brincou ao anunciar Anderson Silva como atração. "Meu próximo entrevistado se depila, tem voz fina, fica descalço, de cueca, se agarrando com outro homem", disse Jô, introduzindo o assunto inicial da conversa: a voz fina do atleta, recordista de defesas de cinturão no UFC, com nove - o brasileiro soma 14 triunfos no evento mais popular de MMA.
"Tenho um grande problema com isso; a minha voz fina. Nunca precisei brigar, sempre levei na boa. Pessoal olha para mim de longe e diz: 'olha, é o Anderson Silva'. Aí, quando se aproximam, eu falo: 'oi' (afina a voz)", contou o lutador, para o primeiro momento de idolatria por parte da plateia, que se manifestava a cada vídeo de Anderson Silva no telão.
Durante a conversa, a produção do programa colocou imagens de três lutas do brasileiro no evento. Primeiramente, o nocaute com apenas um jab de direita sobre Forrest Griffin, no UFC 101. Em seguida, o chute sobre Vitor Belfort, no UFC 126, quando o público, formado na maioria por pessoas que se tornaram fãs do atleta recentemente, reagiu imediatamente com um grito de surpresa. Tal reação deixou o atleta sem jeito, com um sorriso de orgulho.
Os suspiros do público "obrigaram" o apresentador a perguntar sobre a mecânica do golpe que nocauteou Belfort em 5 de fevereiro deste ano. "Treino jiu-jitsu muito, mas prefiro ficar na luta em pé, minha especialidade. Todas as modalidades em pé têm esse chute, mas o aperfeiçoei nos treinos com o mestre Steven Seagal. Eu e o Lyoto treinamos junto a ele. Eu sabia desse chute, mas não tinha a eficiência necessária. O Seagal pediu para eu levantar o joelho que conseguiria uma maior potência e velocidade. Na hora da luta eu lembrei e saiu", relembrou.
Jô Soares tratou de relembrar toda a trajetória da carreira de Anderson Silva, que fez questão de detalhar tudo novamente. "Meu primeiro presente foi uma bola de futebol e uma luva de boxe. Sonhava em ser jogador de futebol, mas não deu muito certo. Eu era um lateral esquerdo horrível. Deixei São Paulo para morar com os meus tios em Curitiba aos quatro anos, aí comecei a jogar futebol, mas não tinha oportunidades. Eu não tinha quem me levasse para os testes. Assim, eu me interessei pelo boxe tailandês, que meu irmão de criação treinava", relatou o lutador.
Apresentado pelo Corinthians na última segunda, Anderson aproveitou para relembrar a primeira vez que treinou, justamente no clube do Parque São Jorge. "Uma vez fui fazer um teste no Corinthians e me atrasei, não pude entrar. Aí vi o pessoal do boxe chegando e fiquei para ver o treino. Liguei para o meu pai e disse: 'vou treinar boxe aqui no Corinthians'. Ai ele respondeu: 'boxe?'. Fui arreado no meu primeiro dia", contou, sorrindo.
Bajulado pelo público, Anderson Silva também recebeu a atenção especial de Supla, convidado ao lado do irmão João Suplicy. Em uma das canções, o artista, "ameaçando" o lutador com socos, cantou "especialmente" para o atleta o trecho: "sometimes I punch you/but I love you (às vezes eu soco você/mas eu te amo)".
Uma das novas personalidades do País, Anderson Silva novamente foi tratado como um ídolo nacional. Se a fama do lutador já era enorme no Brasil depois do confronto contra Vitor Belfort, ficou ainda mais por conta do nocaute sobre Yushin Okami, no UFC Rio, em 27 de agosto. O paulista, radicado em Curitiba, se notabiliza como um dos novos fenômenos do esporte nacional.