Campeão mundial no Corinthians diz que é mais feliz no Grêmio Osasco

Campeão do primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa, em 2000, defendendo o time do Corinthians e ocupando a reserva do consagrado Dida, o goleiro Fernando Yamada, conhecido no meio do futebol como o "japonês voador", devido sua decendência nipônica e posição que atua nas quatro linhas, deixou as manchetes do meio esportivo há 10 anos, após sua passagem pela equipe paulista.

Em uma entrevista exclusiva ao Terra, o jogador, atualmente com 32 anos e defendendo as cores do Grêmio Osasco, equipe que disputa a Série A3 do Campeonato Paulista (equivalente a terceira divisão do estadual), diz que vive o melhor momento em seus 12 anos como profissional.

"Eu me sinto muito bem hoje. Me sinto melhor hoje do que quando tinha 20 anos. Graças a Deus nunca tive lesão e problemas de peso. O Grêmio Osasco é um lugar que vai crescer. A gente vai apostar nesse projeto a longo prazo. Eu quero jogar até 38 anos, quero levar esse time para a Série A1 do Campeonato Paulista, e lutar pelo título", disse.

Conhecido nacionalmente devido sua passagem pelo Corinthians, Yamada, que também defendeu clubes como Portuguesa Santista, ABC-RN, Guaratinguetá e Anapolina-GO, não reluta ao afirmar que o time formado em 1998 e mantido até o início de 2000, que tinha como destaques Marcelinho Carioca, Edílson e Rincón, foi o melhor que ele já viu e participou.

"Pra mim foi um prazer muito grande participar daquele grupo. Na minha cabeça, aquele time foi o melhor da história do Corinthians, sem dúvida. Fomos bi-campeões brasileiros, além do Mundial de Clubes e do Paulista de 1999".

Porém, Yamada lembrou que o elenco, por conta dos grandes jogadores que dele faziam parte, vivia em constante briga de egos. Mas ele garante que isso nunca afetou o desempenho dentro de campo. "Era um grupo difícil de lidar. Tínhamos jogadores com interesse próprio e personalidades muito forte. Mas sempre foi muito bem contornado. Dentro de campo não misturavam as coisas. Extra campo tinham desavenças, claro. Mas, dentro de campo não misturava", disse.

Companheiro do goleiro Dida, ídolo do Corinthians, Yamada diz que a convivência com o amigo o ajudou muito no decorrer da sua carreira. "Foi muito bom trabalhar com o Dida. É um cara tranquilo, humilde. Na época a esposa dele tava em Belo Horizonte, cuidando da academia que ele era dono, e ele sempre almoçava em casa. Tínhamos uma afinidade grande. Passamos pelas catgorias de base da Seleção Brasileira, por isso tínhamos muitas experiências pra tocar. Eu aprendi muito com ele".

Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1999, o goleiro, titular do Corinthians em apenas duas oportunidades, explica o real motivo que o fez sair do clube. "Peguei uma fase difícil e disputada no Corinthians, justamente na época do Dida. Houve algumas situações com a saída do Dida que eu não gostei. Fui sempre titular na base do time, e tinha o respaldo. Mas o Luxemburgo trouxe o Doni. Era a minha chance. Justamente por conta do Luxemburgo eu fiquei chateado, mas futebol faz parte. Ele é um grande profissional, grande treinador. Mas, extra campo eu prefiro não comentar", disse Yamada, que cogitou a hipótese de Luxemburgo ter ganho dinheiro com a transação de Doni.

Promovido ao elenco profissional juntamente com Renato e Rubinho, Yamada lembra dos ex-companheiros de clube e explica o motivo que fizeram os três não terem uma projeção nacional maior.

"Futebol é momento, depende da comissão técnica e da diretoria. Você tem que apostar. O Palmeiras aposta. O Deola não é unanimidade no Palmeiras, sabemos disso. O Palmeiras faz muito bem esse trabalho de preparação. O Corinthians sempre achou mais certo comprar e não teve tanta paciência. Agora a mentalidade lá no clube é outra, uma nova fase e o Andrés dá respaldo pra base".

Primeiro jogador de origem nipônica a defender a Seleção Brasileira no Sub-15 em 1993 e 94, Yamada conta que colhe os frutos dessas convocações até os dias de hoje. "Cara, eu fui pego de surpresa na época. Fiquei muito feliz. É difícil isso acontecer, ainda mais aqui, que é o País do futebol. A imprensa japonesa noticiou isso, foi bem falado. Eu sou um 'restinho' de japonês, pois meu pai é filho e eu sou neto. Fica marcado mesmo. Recebi até homenagem da imigração brasileira".

Titular absoluto no gol do Grêmio Osasco, que atualmente disputa a Copa Paulista, competição que garante ao vencedor uma vaga na Copa do Brasil de 2012, Yamada conta que precisou da ajuda de amigos do meio do futebol para acertar com o time paulista.

"Na verdade eu estava treinado no Corinthians no início do ano, pra manter a forma, e o Vampeta tava lá. Ele disse que ia me levar pra onde ele fosse, pois gostava do meu trabalho. Daí teve um programa na Rede TV!, e o Ronaldo, meu amigo pessoal, me indicou e casou a ideia, pois o Vampeta tinha assumido o comando do time na Série A3", concluiu.