Veja os 12 desafios que Mano terá para recuperar a Seleção até 2014

Um ano depois de assumir a Seleção Brasileira, Mano Menezes vive situação desconfortável. Se por um lado tem o aval de Ricardo Teixeira e não deve sair pelo menos até a Olimpíada de Londres, em 2012, o treinador está desgastado com a torcida depois de um começo de trabalho irregular, com uma eliminação na Copa América e derrotas para Argentina, França e Alemanha.

Para recuperar a confiança de uma Seleção que ainda não engrenou, Mano terá muito trabalho, dentro e fora de campo. Desta forma, 12 desafios que terão de ser superados pelo treinador para que o sucesso chegue em 2014. Confira:

1 - Formar um time confiável para todas as partidas Mano tem utilizado com frequência variações táticas de um jogo a outro. Ainda está em busca dos 11 atletas que podem dar conta do recado contra qualquer time. O esquema de jogo preferido é o 4-3-3, mas na Seleção ele tem tido dificuldade em encaixar as peças certas e tem abusado dos testes; foram 54 jogadores diferentes convocados para 13 partidas (lembrando que na Copa América a mesma lista serviu para quatro jogos).

2 - Definir o papel dos veteranos até 2014 Júlio César terá 34 anos, Lúcio 36 e Maicon 33 no Mundial de 2014. Os jogadores já começam a sentir a idade e não transmitem a mesma segurança de outrora. Até o momento, Mano chamou os dois primeiros com a intenção de ter uma mescla em um time rejuvenescido. Daqui para frente, no entanto, terá que se decidir: ou faz a aposta de tê-los em boa forma até o Mundial ou começa a dar experiência a outros jogadores para essas posições-chave.

3 - Encontrar (recuperar) um centroavante confiável Os jogos da Copa América e a derrota para a Alemanha mostraram que o poder de fogo do Brasil está limitado. Muitas chances foram desperdiçadas e Mano aparentemente perdeu a paciência com Alexandre Pato, que no Milan joga mais aberto. Se insistir com o ex-colorado, precisará contar com a melhora dele. Caso contrário terá de fazer mais testes na posição.

4 - Conciliar a preparação olímpica com a Seleção principal Mano não está em condições de abandonar a Seleção principal para focar a preparação olímpica. Por outro lado, uma derrota nos Jogos de Londres pode ser a gota d'água para uma eventual saída. Neste dilema, ele terá de ter sensibilidade nas próximas convocações e conseguir levar os dois projetos paralelamente com a mesma eficácia. Para lembrar: apenas jogadores abaixo dos 23 anos, mais três "veteranos", podem participar dos Jogos Olímpicos.

5 - Reaproximar a Seleção da torcida Jogando muitas partidas no exterior, sem a presença nas Eliminatórias e com resultados irregulares, o Brasil corre o risco de se distanciar ainda mais de uma torcida já sem tanto entusiasmo. Com a Copa das Confederações e Copa do Mundo nos próximos anos, manter uma boa relação é fundamental e, como ficou provado nos últimos jogos no Brasil, isto está longe de ser realidade.

6 - Ganhar logo de alguma seleção de peso A cada insucesso contra os grandes do futebol, a pressão vai aumentar. Até agora França, Argentina e Alemanha passaram por cima do Brasil. Na agenda acertada com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nos próximos meses a Seleção enfrentará México, Espanha, Itália e duas vezes a Argentina, com quatro destes jogos em território inimigo. Uma vitória significativa é mais do que urgente.

7 - Encontrar alternativas para posições carentes Para ficar em um exemplo. A lateral esquerda transformou-se em um problema para o treinador. Titular absoluto, André Santos vive uma fase irregular, tem falhado muito e sofre rejeição de parte dos torcedores. Marcelo pisou na bola duas vezes por supostamente ter forçado lesões em prol do Real Madrid e está "queimado". Adriano, quando convocado, mal jogou. A situação ficou escancarada com a entrada do volante Luiz Gustavo na posição no segundo tempo da partida contra a Alemanha.

8 - Combater a desatenção defensiva O Brasil tem tomado gols bobos nas últimas partidas. Nos nove primeiros jogos da era Mano, levou só dois. Nos últimos quatro, tomou sete, muitos em falhas individuais. Daniel Alves entregou um gol contra o Paraguai, Júlio César para os equatorianos e André Santos para os alemães.

9 - Controlar a pressão pela convocação de veteranos que voltaram a jogar no Brasil Ronaldinho voltou a jogar bem no Flamengo. Luís Fabiano reestreará no São Paulo em breve. Adriano começará uma nova tentativa de reerguer a carreira no Corinthians. Não faltarão pedidos de convocação destes jogadores e Mano terá de avaliar o impacto da chegada de cada um deles no atual grupo e dizer não se necessário sem se preocupar com a reprovação da torcida.

10 - Diminuir o número de expulsões por destempero Três expulsões tiraram Mano Menezes do sério durante este ano de trabalho. Hernanes recebeu vermelho contra a França em um pontapé no primeiro tempo e nunca mais foi chamado. Ramires recebeu puxão de orelha pela advertência no final do duelo contra a Holanda. E Lucas Leiva se envolveu em uma briga e foi para o chuveiro mais cedo contra o Paraguai.

11 - Lidar com as estrelas Na Copa América Mano, Mano tirou Robinho do time e o jogador disse que era sempre o escolhido. Ficou fora do jogo seguinte. Paulo Henrique Ganso acabou preterido diante da Alemanha e deixou o estádio cabisbaixo. Para contornar situações como essa, Mano terá de ser habilidoso. E ainda existe o risco de ciúmes com badalação excessiva em cima de Neymar, que na Seleção ainda não repete o constante bom futebol apresentado no Santos.

12 - Saber conviver com especulações de supostos substitutos Nomes de técnicos serão especulados a cada derrota de Mano Menezes. Por isso, o treinador precisa manter o foco e sentir-se prestigiado dentro da CBF. Caso contrário, viverá inseguro, condição que inevitavelmente atrapalhará o trabalho na Seleção.