Paulo Henrique Ganso estreou na Seleção Brasileira no dia 10 de agosto de 2010 e fez do que dele se esperava - e não era pouco. Jogou bem, deu passes e comandou a vitória por 2 a 0 diante dos Estados Unidos no início do ciclo Mano Menezes. A um dia de esta partida completar um ano, o meio-campista entra em campo contra a Alemanha, nesta quarta-feira, em Stuttgart, precisando de uma atuação parecida para explodir com a camisa 10 verde-amarela e acabar com a desconfiança.
Neste um ano de intervalo, Ganso realizou apenas quatro partidas com a Seleção. Teve a sua evolução dentro da equipe de Mano Menezes interrompida por duas lesões que de nada adiantaram para diminuir as cobranças em cima de seu futebol na Copa América. Não foi mal, teve bons momentos, mas ficou devendo o brilho que mostrou no Santos em 2010. Aliás, mesmo em seu clube, o meia não conseguiu manter o nível neste ano e tem alternado boas partidas com atuações apagadas.
"Acho que podemos melhorar sempre. Tinha acabado de sair de uma lesão séria, estava voltando a jogar. Mas em um todo acho que ela (atuação do jogador na Copa América) foi boa", avaliou o meio-campista, que mesmo durante a sua ausência na Seleção criou a fama de jogador único. Mano testou diversos camisas 10 substitutos, mas não conseguiu encontrar ninguém que se aproximasse do futebol apresentado por Ganso contra os Estados Unidos e, diante da instabilidade do time, criou a expectativa de que a volta do santista seria a solução.
Não foi. A Seleção continuou irregular com Ganso em campo, ganhou apenas do Equador e deixou a Copa América com mais incertezas do que convicções. Tanto que, logo no primeiro treino pós-eliminação, na última terça-feira, Mano testou uma variação tática que teve como escolhido para deixar o time justamente Ganso. Fernandinho entrou no seu lugar e o treinador sugeriu a possibilidade até de começar o jogo sem o santista.
A situação, que seria normal em uma Seleção Brasileira, torna-se estranha pela expectativa criada em cima de Ganso. Venerado pelos amantes de um futebol romântico quando virou destaque do Santos em 2010, o jogador passou a ser visto como o homem que iria resgatar a magia da camisa 10 do futebol brasileiro, aquele meio-campista que decidiria o jogo em um toque ou em uma visão que nenhum outro atleta em campo seria capaz de ter.
A carência por esse jogador no futebol brasileiro fez Ganso conviver com uma pressão pelo número que usa. Agora, há mais tempo livre de lesões e com mais ritmo de jogo, o meio-campista espera recuperar o status perdido na Copa América da Argentina. "Pelo que fiz na minha estreia (pela Seleção), acho que o Mano esperou o tempo necessário para eu me recuperar. Agora eu tenho de manter, procurar melhorar, e procurar honrar esse número que é tão desejado por todos", disse.