Apesar dos milhares de visitantes que recebe neste Carnaval, a Bahia se ressente de cinco ausências. As autoridades que promovem a Copa do Mundo de 2014 em Salvador queriam propagandear sua gigantesca folia a representantes da Federação Internacional de Futebol (Fifa) e do Comitê Organizador Local (COL). Ficou para o próximo ano.
A intenção era fortalecer a candidatura baiana para receber a festa e o jogo de abertura do Mundial. Concorrem também São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.
A Secretaria Extraordinária para Assuntos da Copa 2014 (Secopa) esperava uma comissão formada pela secretária-geral do COL, Joana Havelange, pelo gerente de marketing do COL, Luís Otávio Marini, pelo diretor de marketing de eventos da Fifa, Jay Neuhaus, e por mais duas pessoas dos setores de segurança e voluntariado. Porém, na semana passada, um comunicado por e-mail agradeceu e declinou do convite, alegando compromissos exatamente nestes dias.
Frustrada com a resposta negativa em cima da hora, a Secopa preferiu não aceitar substitutos de escalões inferiores. E protelou para 2012 a iniciativa, pois "ainda não há prazo para definir onde será a abertura da Copa", justificou o secretário Ney Campello.
Havia sido planejada uma visita técnica, que incluía sobrevoo de helicóptero, ida ao centro de comando e controle da Polícia para observarem seu funcionamento e o videomonitoramento dos dois circuitos da folia soteropolitana. Seria mostrado o aparato do serviço de saúde, como estruturas de emergência, cirurgia de média e alta complexidade. O cartão de visitas ainda exibiria a mobilização de 23 mil policiais civis e militares, além do uso de camarotes, dos serviços de limpeza, reciclagem de lixo e iluminação.
- Acho que interessa a eles para conhecer o funcionameto do Carnaval, a estrutura, em temos de logística e daquilo que entedemos ser referência em termos de megaevento de entretenimento, que trabalha com multidão - valorizou Campello.
Na sua ótica, trata-se de elementos fundamentais para 2014. "Precisamos beber da nossa própria experiência. É o maior carnaval de rua do planeta, está no Guiness Book de 2005", diz.
As palavras do presidente da Fifa, em entrevista coletiva, quinta-feira (3), encheram de esperanças o secretário baiano. "Atenção!!! Joseph Blatter declarou que não há definição sobre qual cidade fará o primeiro jogo!", publicou Campello no Twitter. "Citou Rio e São Paulo como cidades que possivelmente não terão estádios para a Copa das Confederações!", acrescentou.
Para ele, a competição entre campeoões continentais surge como decisivo teste para as sedes, no ano anterior ao Mundial, o que poderia credenciar Salvador para grandes aspirações. Campello destacou o possível atraso na entrega dos estádios paulistanos e cariocas, mas ressalvou, em entrevista a Terra Magazine: "Não torcemos pelo insucesso de São Paulo, Rio ou qualquer outra cidade".
"Logo após o Carnaval, vou encaminhar o pleito da Bahia para sediar a final da Copa das Confederações de 2013", avisou o secretário sobre a formalização da candidatura com uma carta à Fifa e ao COL, entre 14 e 18 de março.
Que é que a Bahia não tem?
Apesar de ser uma das cidades com obras de estádio mais avançadas, Salvador sofre com deficiência de infraestrutura. "Claro que (isso) existe, não vamos negar. O maior deles é a mobilidade, que é o maior (problema) de todas as sedes do Brasil", admitiu Ney Campello.
Ele espera obter mais recursos com o Ministério das Cidades, gerido pelo baiano Mário Negromonte, do PP, e que anuncia até abril R$ 2,4 bilhões para projetos. "Já temos R$ 570 milhões para um ponto crítico, na Avenida Paralela, ligando o aeroporto à Rótula do Abacaxi e lá integrando o metrô (ainda não inaugurado)", explicou Campello.
Com um novo aporte de verbas, ele garante que não haveria transtornos na capital cada vez mais engarrafada. "Resolveríamos de fato a mobilidade no que diz respeito à Copa, resolvendo (vias) também alimentadoras aos estádios de Pituaçu e do Barradão, que são centros de treinamento (para o Mundial)".
O aeroporto internacional, geralmente apontado como uma debilidade, não lhe tira o sono. "Em todoas as reuniões, a superitendência da Infraero reitera que não teremos tanta dificuldade. Não é que a situação seja boa e não precise de intervenção, mas é comparativamente 'menos pior' em relação às outras cidades", cotejou.
Ainda assim, o secretário informa que é pedida ao governo federal uma revisão nos investimentos em aeroportos da Copa. "Pleiteamos elevar o montante de R$ 45 milhões destinado a Salvador. São Paulo e Rio terão, por exemplo, R$ 600 milhões e R$ 1 bilhão".
Ele promete para março a criação de um grupo para monitorar a preparação baiana com representantes da Prefeitura da capital, do Governo do Estado e de órgãos responsáveis por portos, energia elétrica, telefonia, aeroportos e licenciamentos.