ZURIQUE, Suíça - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira, em Zurique, que as acusações de corrupção contra membros da Federação Internacional de Futebol (Fifa) são "inaceitáveis", poucas horas após a escolha de seu país como sede do Mundial-2018 . O ex-presidente do país justificou assim sua decisão de não estar na Suíça no momento da votação, com a qual se surpreendeu.
"Há pessoas que foram acusadas de corrupção, e foram sem nenhuma razão, sem fundamento", declarou o líder russo. "Simplesmente tratava-se de uma forma de pressão contra os membros da Fifa, algo que é inaceitável, e ter ido para a mídia. Trata-se de um exemplo de concorrência desleal", disse.
"Entendemos que deveríamos dar aos membros da Fifa a possibilidade de tomar sua decisão sem pressão externa e de maneira objetiva. É por isso que eu disse ao ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, membro do Comitê Executivo, que transmitisse minha forma de ver as coisas aos outros membros do Comitê Executivo. Fiz isso por respeito a eles", acrescentou.
Em um documentário transmitido no início desta semana, a BBC acusou três membros do Comitê Executivo da Fifa de terem recebido dinheiro em casos de corrupção. O Sunday Times havia acusado em outubro dois membros do Comitê Executivo da corrupção, o que levou a sua suspensão pelo Comitê de Ética da entidade.
Putin tinha anunciado na quarta-feira sua intenção de não estar presente no dia do anúncio das sedes da Copa do Mundo, para "não pressionar" os membros da Fifa, e pediu ao resto dos políticos que fizessem o mesmo.
Após a decisão de atribuir a competição de 2018 à Rússia, o primeiro-ministro decidiu viajar imediatamente a Zurique para agradecer pessoalmente aos responsáveis do organismo internacional.