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Em recuperação, Casagrande admite quatro overdoses

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Portal Terra

RIO - Em recuperação em clínica para dependentes químicos, o ex-jogador Walter Casagrande Júnior afirmou neste sábado, em entrevista à rádio Jovem Pan, que já sofreu quatro overdoses por consumo de drogas, principalmente cocaína e heroína, segundo relata o ex-atacante de Corinthians, São Paulo e Flamengo, além da Seleção Brasileira, por quem disputou a Copa do Mundo de 1986, no México.

- Tive quatro overdoses, fui parar no Eisntein (hospital) com um princípio de coma, tive um acidente de carro quando eu estava sob efeito, usando de forma mais compulsiva - afirmou.

Usuário de entorpecentes desde a adolescência, Casagrande reconhece que aprofundou o seu vício após pendurar as chuteiras.

- No começo sempre tem a curiosidade. Eu venho de uma geração influenciada pelos hippies e eu tenho essa filosofia de usar algo diferente. Sempre usei muitas drogas quando era garoto, mas não de forma intensa. Quando eu parei de jogar, tive um vazio da adrenalina dos jogos, dos treinos e isso me levou ao uso compulsivo, começou a ser diário - explicou.

O ex-jogador, que antes da internação trabalhava como comentarista de futebol da Rede Globo, também afirmou que a dependência atrapalhava seu desempenho na profissão.

- Eu comecei a me atrasar no trabalho. No dia em que eu ia trabalhar, eu não usava, mas é difícil deixar de usar. E com isso eu tive até falhas no meu trabalho. Coloquei a empresa em dificuldades várias vezes e era substituído às pressas pelo Falcão (comentarista) - completou.

- É dificl para o viciado porque não dá para esconder que a droga lhe dá um prazer. Mas é um prazer falso, que vai lhe destruindo. Você vai fazendo as mesmas coisas que faz normalmente, mas com uma qualidade menor. E na sua cabeça você está fazendo bem - avaliou.

Internado desde setembro do ano passado, após um acidente de carro que sofreu no bairro paulistano da Lapa, Casagrande aumentou o seu peso de 80 para 92kg e já iniciou a fase final da recuperação. Segundo o comentarista, a emissora vem lhe dando a segurança necessária para o seu tratamento, mantendo assim uma postura que teve na primeira internacão para superar o vício, em 2006.

- A Globo sempre me apoiou. Eu não falei com eles desde a internação, mas meu filho faz o contato e me fala que eles querem um funcionário trabalhando com saúde. Eu tenho essa segurança da empresa que eu trabalho, muito responsável e que tem muita consideração com quem trabalha para ela. Eles sempre souberam do meu problema, sempre me ajudaram, não tenho nada a reclamar - avaliou o ex-atacante.

Lúcido nas declarações, Casagrande diz que superar as saudades das transmissões é uma das missões nos próximos passos da recuperação.

- Eu tenho saudade de fazer o meu trabalho. Não vejo jogos porque fico incomodado, poderia estar lá trabalhando. Uma das coisas que me incomoda é ver futebol e, enquanto existir esse rancor, não posso sair da clínica. Estou me preparando para voltar. Não tenho tempo, não estou preocupado com isso. O tempo é a recuperação. Sempre confiei em meus amigos e agora sei que posso contar com eles quando sair daqui - definiu.