Nilo Junior, Agência JB
SÃO FRANCISCO DO SUL, SC - Como era esperado, o segundo dia do Gatorade Surf Classic, etapa do WQS (World Qualifyng Series) bombou a Prainha, em São Francisco do Sul, Santa Catarina. O mar, que na quinta estava mexido, melhorou e ganhou tamanho, com as séries chegando a dois metros. O Sol também resolveu fazer a sua parte e apareceu no início da tarde. O público, por sua vez, chegou juntou e prestigiou o evento. Muitos turistas ainda chegam à Ilha, o que aumenta a expectativa de um número ainda maior de pessoas neste sábado, para as oitavas-de-final da competição.
Com as condições do mar melhores, as baterias foram bastante equilibradas. Na primeira disputa da segunda fase, Thiago Camarão tirou um tubo mágico da cartola e virou a bateria quase no fim, terminando em primeiro. A poucos segundos do término, Simão Romão interferiu numa onda de Eric de Souza e os dois deixaram a água discutindo. O grande momento do dia foi o confronto de gerações, na quarta bateria. Na água, o jovem Miguel Pupo, de apenas 15 anos, e o experiente Peterson Rosa, de 32, tricampeão brasileiro e com 15 WCT no currículo. Além deles, Yuri Sodré e Michel Roque completavam o quarteto.
Pranchas na água, o tricampeão brasileiro Petersn Rosa mostrou todo o seu talento, com manobras fortes, sempre precisas, variando entre batidas e rasgadas. Yuri também conseguiu boas ondas e junto com Peterson avançou às oitavas. Miguel ainda "botou pra dentro" no finalzinho e conseguiu um belo tubo, mas não foi o suficiente para desbancar a experiência dos adversários.
- Foi muito difícil, não consegui achar as ondas. Ainda tirei um tubo no final, mas não deu. Mas valeu como experiência, é muito bom cair na água com dois ex-WCT e com certeza foi mais um grande aprendizado - falou Jesse.
Ao deixar o mar, Peterson, foi cercado por jornalistas e crianças.
- É muito legal competir aqui na Prainha, onde é minha casa também. O mar está alucinante, com altas ondas. A Prainha nunca decepciona, é um dos picos mais constantes do Brasil - afirmou.
O surfista disse que pretende continuar disputando todos os torneios do Brasil.
Quero ganhar aqui, mas não por ser WQS, que não estou nem ligando para isso e menos ainda para classificação para o WCT. O que eu quero é continuar competindo no Brasil. Se eu não levar essa etapa aqui, vou torcer para o Jean da Silva, que está perto de se classificar para a elite do surfe mundial - falou Peterson, que pretende seguir surfando até os 40 anos.
Nesta sábado, dependendo dois resultados, podemos ter outro duelo como o desta sexta. Fábio Gouveia, atleta mais velho da competição, com 38 anos, estréia amanhã. Jesse Mendes, de apenas 14, conseguiu se classificar para as oitavas.
Para Fábio, se o mar continuar como está, os mais experientes levam vantagem.
- O mar desse jeito me favorece, porque posso buscar manobras mais fortes. Agora, num mar pequeno, fechando, ele (Jesse) vai dar um monte de aéreo e não dá para acompanhar esse ritmo. Se bem que ele está surfando muito e vai ser um adversário complicado de qualquer jeito.
Aos 38 anos, Fábio afirma que não sente mais a pressão por resultados e sente-se feliz de se manter competitivo.
- É uma satisfação enorme estar com a minha idade e competir com um moleque de 14, que está começando. Teoricamente, a obrigação de vencer é minha, por causa da experiência, mas isso não me afeta mais.
WCT em Imbituba está confirmado
Nesta sexa-feira, o surfista Neco Padaratz confirmou que a etapa brasileira do WCT será realizada em Imbituba, Santa Catarina. Faltando pouco mais de um mês para a competição, um impasse com um dos patrocinadores estaria dificultando a realização do evento. Segundo Neco, o apoio das autoridades do estado foi funamental.
- Graças ao apoio do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal, o WCT de Imbituba está garantido. Fico feliz de saber que o goernador e o prefeito se preocupam em apoiar o esporte, que dá um retorno cultural e turístico para a cidade.