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Agência Mundial pode flexibilizar código para doping acidental

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REUTERS

TORONTO - Pressionada a flexibilizar as intransigentes regras de combate ao doping no esporte, a Agência Mundial Antidoping (Wada) pode aplicar punições ainda mais severas para usuários pesados, mas abrandar para os outros.

O presidente Richard Pound disse nesta terça-feira que a Wada tem revisado seu código e está planejando uma 'sintonia fina'. Entretanto, informações obtidas dentro da Wada indicam que atletas e entidades esportivas desejam mudanças significantes, especialmente nas punições aplicadas a infrações menores ou àqueles que foram contaminados sem conhecimento.

O código da Wada estipula uma suspensão mínima obrigatória de dois anos para qualquer caso de doping comprovado.

- É simplesmente uma sintonia fin - disse Pound à Reuters numa entrevista por telefone. - O teor básico e os padrões do código estão todos mantidos. Onde realmente existe um acidente, um remédio para gripe ou alguém que fumou maconha ou algo desse tipo, onde provavelmente não houve intenção de doping esportivo mas há uma violação técnica, nós queremos ter flexibilidade. Você não precisa ficar dois anos afastado por isso.

A possibilidade de a Wada levar em consideração fatores atenuantes quando um atleta tiver um exame antidoping positivo pode marcar o fim da linha dura da organização, que considerava os atletas como únicos responsáveis pelas substâncias proibidas encontradas em seus corpos.

Entretanto, Pound reconheceu que punir com os mesmos dois anos um atleta que acidentalmente ingere uma substância proibida e outro que faz uso deliberado de drogas para melhorar a performance não é adequado.

- Queremos ter alguma flexibilidade, mas por outro lado, quando você está lidando com casos pesados, como tráfico e uso deliberado e sistemático, você quer ir além de dois ou quatro anos - disse ele.

Os membros da Wada farão agora uma revisão do código e votarão as emendas durante o encontro anual, em Madri, em novembro.

- Quando fizemos este código em 2003, achávamos que estava 100 por cento certo, era um milagre ter um código geral. Agora temos três anos de experiência e estamos descobrindo as coisas que podem melhorar - afirmou.